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Ficha técnica


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Sinopse

Policial endurecido pelo contato cotidiano com a morte fica viúvo. A filha, Olga, reage de maneira doentia, sofrendo de anorexia e se auto-mutilando. Ele procura a ajuda de uma terapeuta, Anna, que mantém um grupo de apoio. Anna também lida com a morte de um modo peculiar.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/01/2016

O trabalho que rendeu à polonesa Malgorzata Szumowska o prêmio de direção no Festival de Berlim – dividido com o romeno Radu Jude, de Aferim!,  – é um filme de emoções contidas e momentos de estranhamento. A narrativa se concentra em três personagens: um investigador de polícia (Janusz Gajos), sua filha com anorexia, Olga (Justyna Suwala), e a terapeuta dela, Anna (Maja Ostaszewska ), que acredita ser capaz de se comunicar com os mortos.
 
O roteiro, assinado pela diretora e Michal Englert, acompanha as três perspectivas que, na verdade, pouco se complementam, o que, no fundo, evidencia o isolamento e a solidão de cada um desses personagens. Nenhum deles é feliz em sua vida, em suas escolhas – ou na falta delas. O investigador lida com a morte todos os dias, a ponto de parecer ter perdido a sensibilidade. Quando um jovem colega começa a tremer numa cena de crime, o protagonista aconselha que ele precisa lidar com isso: “É o nosso trabalho”.
 
Anna é uma terapeuta esforçada, trabalhando com um grupo de jovens anoréxicas e tentando trazer um novo sopro de vida para elas. Quando Olga chega à clínica, ela precisa não apenas se adaptar ao grupo, como também aprender a lidar com seus próprios fantasmas. Nas horas vagas, quando não está passeando com seu enorme cachorro, Anna se comunica com os mortos, psicografando páginas e mais páginas aparentemente ditadas por espíritos.
 
Há um humor delicado, às vezes negro, vindo da ingenuidade dessas personagens. Mas o que predomina é um olhar cuidadoso da diretora sobre essas três figuras que, cada um a seu modo, está à margem, perdeu o gosto pela vida – seja pela anestesia de conviver diariamente com a morte, ou pelo simples fato de não ter expectativas para o futuro.
 
Ao mesmo tempo, o longa é um comentário sobre a Polônia contemporânea, cuja identidade está cindida – entre a modernidade e os valores do passado -, e onde a religião já não é mais capaz de dar respostas ou, ao menos, conforto. O que sobra é se agarrar ao místico, como Anna.

Alysson Oliveira


Trailer


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