Um Amor Quase Perfeito

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País


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Crítica Cineweb

13/03/2003

Se há países onde já existem leis que regulamentam a união entre homossexuais - Dinamarca, Groenlândia, Hungria, Islândia, Noruega e Suécia -, no Brasil o assunto está apenas engatinhando. O Projeto de Parceria Civil Registrada (PCR), da ex-deputada e prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, está empacado no Congresso e encontra nas bancadas religiosas sua principal oposição. Apesar da objeção dos setores conservadores, a causa tem ganhado muitos adeptos, como prova a última Parada do Orgulho GLBT que, em junho, levou cerca de 400 mil pessoas à avenida Paulista.

Na Itália, o assunto também rendeu sucesso na bilheteria de Um Amor Quase Perfeito, de Ferzan Ozpetek, que ao lado de O Quarto do Filho, de Nanni Moretti, e Santa Maradona, de Marco Ponti, elevou para 19,5% a participação de filmes nacionais no mercado italiano.

Antonia (Margherita Buy) é uma mulher rica e bem-casada que vê seu mundo ruir após a morte do marido. O motivo maior de sua dor reside não na perda do companheiro mas na descoberta da homossexualidade dele. Lendo uma dedicatória no quadro Le Fate Ignorante (a tal Fada Ignorante do nome original), Antonia descobre ser Michele (Stefano Accorsi) o homem com quem seu marido viveu por sete anos e resolve conhecê-lo. A poucos quilômetros de casa, ela descobre uma realidade completamente diversa e passa a freqüentar a casa do antigo concorrente. A convivência cria certa atração em ambos e Michele parece não mais estar tão certo acerca de seus sentimentos.

O filme merece referência por abordar de maneira divertida e realista a vida de um grupo de homossexuais, e levantar temas como Aids, estupro e preconceito. Mas, em Um Amor Quase Perfeito, há alguns problemas bastante visíveis. O primeiro e mais gritante é a performance da protagonista que, nas cenas em que sofre pelo marido, não consegue suscitar um pingo de compaixão no espectador. Outro entrave não menos importante é a excessiva trilha sonora que irrompe a todo momento num tom bastante meloso. Mas ainda assim, o filme se apresenta como um defensor da diversidade sexual que caminha no sentido de extinguir o preconceito e, principalmente, a intolerância. A sexualidade é assunto privado e é isso que há de se entender.

Cineweb-2/8/2002

Luara Oliveira


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