Os 33

Ficha técnica


País


Sinopse

Durante 69 dias, 33 mineiros ficaram soterrados em uma mina em São José, no deserto do Atacama, Chile. Entre o drama do confinamento e das famílias na superfície à espera de notícias, o mundo parou para assistir. O filme reencena os acontecimentos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

27/10/2015

Há certa expectativa sobre o filme Os 33, da mexicana Patricia Riggen (do mediano Sob a Mesma Lua). Baseado no relato dos 33 mineradores soterrados por 69 dias em uma mina em São José, no Chile, que apontou os olhos da mídia mundial para o deserto do Atacama por semanas, a produção mostraria os suplícios dessas pessoas, seus parentes e as desesperadas tentativas de salvá-los.

Um drama humano visceral, que dificilmente passaria despercebido pelos estúdios americanos (aqui, FOX), ávidos em comprar os direitos de roteirizar o livro Deep Down Dark (2014), escrito pelo jornalista dos EUA Héctor Tobar que, por sua vez, negociou os direitos do livro ainda sem saber se os mineradores seriam resgatados. Uma situação que mostra a crueldade não apenas dos infortúnios de quem estava dentro, mas também das oportunidades que aparecessem a quem esteve do lado de fora.

Das expectativas, portanto, a principal é a de como sobreviveram os 33 mineradores, na versão para o cinema e livro, liderados por Mario Sepúlveda (Antonio Banderas). E, nesse ponto, esperava-se mais do roteiro do quarteto Mikko Alanne, Craig Borten, Jose Rivera e Michael Thomas. Toda a tensão inerente à tragédia se define em um par de cenas, com pouco vigor.

Isso porque a narrativa se divide em três núcleos: o dos mineradores (mal explorado), o dos familiares, liderados por María Segovia (Juliette Binoche, em uma atuação chileníssima), e da estrutura do Estado que tenta resolver o assunto, na pele do ministro Laurence Golborne (Rodrigo Santoro).

Nenhum dos conflitos se resolve, como produção e técnica, para muito além do sentimentalismo gratuito. Há um desejo, quase solene, de fazer o público chorar (a incessante trilha sonora e subterfúgios narrativos os provam), mais do que demonstrar uma real condição trazida por fatos, que por si só, já carregariam o filme com um forte apelo emocional.

Outro ponto que pode explicar, mas não na totalidade, um artificialismo é o fato do filme ser todo em inglês, com poucos chilenos, estes colocados em terceiro plano. Como é o caso da excelente Paulina Garcia, vencedora do Urso de Prata no Festival de Berlim, por Gloria, em 2013, relegada a uma papel que nem nome tem.
Mais velho que as próprias Cordilheiras do Andes, o tino comercial da indústria  faz com que o grosso das produções use atores com mais apelo de consumo e atração para os papeis. Seria como o Javier Bardem, de Segunda-Feira ao Sol (2002), interpretar o ex-presidente Lula. Mas o fato de fazer Antonio Banderas, Lou Diamond Phillips, Bob Gunton e Juliette Binoche pronunciarem um “espanglês”, beira o desatino.

Muito se falou, no Chile, sobre uma possível vertente política do filme, propagandística, até, pelo fato de um dos investidores e produtor ser Carlos Eugenio Lavín (suspeito e preso por sonegação no país). Entretanto, a diretora Patricia Riggen passa ao largo dessa questão política.  


Extraindo o talento do elenco, muito pouco sobra para o filme, além do piegas. Como a cena da Santa Ceia, em que os mineiros alucinam em seu próprio sofrimento, esperando serem salvos, sem pecar, por um ato de Deus. “Deus ganhou”, disse Mario Sepúlveda, ao ser resgatado. Mas esse não é o discurso que promove o filme, aliás bem humano.

Rodrigo Zavala


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança