Campo de jogo

Ficha técnica

  • Nome: Campo de jogo
  • Nome Original: Campo de jogo
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2014
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 71 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Eryk Rocha
  • Elenco:

País


Sinopse

No mesmo dia da final da Copa do Mundo 2014, no Maracanã, uma outra final acontecia ali bem perto. No bairro Sampaio, zona norte do Rio, pela final de um campeonato de várzea que reuniu times de 14 comunidades, enfrentam-se o time local, o tricampeão Juventude, e o Geração, da favela Matriz.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/07/2015

Campo de jogo é um documentário que procura a essência do futebol na várzea do Rio de Janeiro. O desmonte do grande espetáculo em torno do esporte preferido dos brasileiros ocorre a partir da primeira sequência, em que se informa que aquele é o dia da final da Copa do Mundo 2014, no Maracanã. Mas o filme focaliza uma outra final, bem mais modesta, não muito longe do mítico estádio: aquela que encerra um campeonato de times de várzea de 14 favelas cariocas, reunindo o Juventude, do bairro Sampaio, onde ocorre o jogo, e o Geração, da favela Matriz.
 
A diferença entre as duas finais é explícita, a partir do próprio campo em que se realizam. Longe do ostensivo padrão FIFA do palco da final da Copa, aqui se vê um campo precário, mantido a duras penas, em que os jogadores disputam os lances entre areia e um resto de mato. Nada disso abala o entusiasmo nem a raça que nasce de cada lance. Afinal, disputa-se um pedaço importante da vida de cada um dos envolvidos.
 
As preleções dos técnicos deixam claro que ali ninguém está para brincadeira. O papo é sério, a chamada à honra é total. A torcida fica ali por perto, quase em cima do jogo, a postos, tomando sua cerveja, observando tudo. Num lance de expulsão, o juiz é rapidamente cercado por torcedores. Ali, mais do que no estádio, ele precisa de muita moral para retomar o controle da partida. Neste ambiente, a faísca parece muito mais próxima da explosão, já que não há portões nem muros que a contenham. Tudo é mais à flor da pele.
 
Como é habitual nos trabalhos de Eryk Rocha (Rocha que Voa, Pachamama, Transeunte), há uma preocupação estética e de linguagem que nada tem a ver com enfeite ou maquiagem. Apesar disso, sequências em câmera lenta, que mostram meninos de rosto meio coberto da areia do campo ressaltam a beleza dos corpos em movimento, a dança do jogo. A trilha sonora, que reúne Villa-Lobos, Wagner, Puccini, salienta a dramaticidade da disputa, ainda mais com uma final que acabou nos pênaltis, marcando o tetracampeonato do Juventude e o sonho, mais uma vez adiado, do Geração. Mas vai ter revanche.

Neusa Barbosa


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