Segunda chance

Ficha técnica


País


Sinopse

Depois de flagrar o estado de abandono e negligência a que um bebê é submetido por seus pais viciados em drogas, Tristan e Sanne, o policial Andreas decide roubá-lo para substituir seu filho morto.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/06/2015

O novo filme da dinamarquesa Susanne Bier, Segunda Chance, é dolorosamente bruto, mesmo para uma diretora acostumada a esmiuçar a complexidade humana em situações-limite. Nesta reflexão sobre o valor da paternidade, ela e seu frequente colaborador, o roteirista Anders Thomas Jensen, não suavizam o drama em que irão se curvar seus protagonistas.

Tudo ocorre por uma impensável decisão do policial Andreas (Nikolaj Coster-Waldau, da série Game Of Thrones), um pai de família. Ele e seu parceiro, Simon (Ulrich Thomsen), vão à casa de um ex-condenado, Tristan (Nikolaj Lie Kaas), sob o pretexto de resolver um possível distúrbio familiar.

Porém, mais do que violência contra a namorada Sanne (May Andersen) e o uso abusivo de drogas, os oficiais encontram um bebê negligenciado, preso no armário, mergulhado no próprio excremento. Com esposa (Maria Bonnevie) e filho recém-nascido em casa, Andreas fica mortificado com a situação, exigindo de seus superiores que a custódia da criança seja retirada do casal de viciados, o que é negado.

Paralelamente a isso, o filho do policial morre subitamente. Consternado pela perda e o desespero da mulher, Anna, ele recorre a uma atitude extrema: substituir as crianças. Produz choque as cenas em que Andreas invade a casa do Tristan e Sanne (que estão dopados dormindo), onde encontra a criança encharcada nas próprias necessidades no chão do banheiro. Pior: passa excremento no próprio filho para que o casal não suspeite da troca.
 
Fica evidente a tentativa de manipulação que Susanne Bier impõe à audiência, ao valorar o protagonista para diminuir o horror de suas ações e, mais tarde, guiá-lo à consciência de seus erros e à redenção. Porém, essa não é uma das prerrogativas do próprio melodrama moral? Diretora e roteirista mostram que sim, no tom azul que predomina na fotografia (de Michael Snyman).
 
Embora o elenco dê força ao enredo, a narrativa apresenta fragilidades que vão além de ardis dramáticos. Elas se encontram principalmente na composição dos personagens, em especial o unidimensional Tristan e o problemático Simon (cujos conflitos ficam mal resolvidos), e nas incoerentes situações a que eles são submetidos pós-troca, como a justificativa de que bebês ficam diferentes quando morrem.

Susanne Bier, que assinou os bons Brothers (2004) e Corações Livres (2002) e os excelentes dramas, Depois do Casamento (2006) e Em Um Mundo Melhor (2010), ganhador do Oscar e do Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira, faz aqui um trabalho afeito a sua filmografia, mas à margem de sua qualidade costumeira. Mas nem por isso menos poderoso.

Rodrigo Zavala


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