Eden [2015]

Ficha técnica


País


Sinopse

No início da década de 1990, Paul dá início a sua carreira de DJ com seu amigo Stan em Paris. Das festas underground à turnê internacional, que passa pelos Estados Unidos, eles enfrentam a evolução da música eletrônica e a decadência do estilo garage, frente às novas modas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

17/03/2015

A diretora francesa Mia Hansen-Løve já coleciona prêmios, merecidos, pelo seu trabalho sobre a juventude. Adeus, Primeiro Amor (2011) e O pai dos meus filhos (2008) conquistaram prêmios no Festival de Locarno (especial do júri) e na seção Un Certain Regard do Festival de Cannes, respectivamente. Daí a expectativa sobre o novo projeto, Eden, que faz uma homenagem à música eletrônica francesa, a partir de seus primórdios.

Porém, muito além da música, ela (que assina o roteiro) concentra a atenção em Paul (Félix de Givry), um chapadão que investe sua vida no estilo “garage” (vocal com sampler). Musicando uma vertente da música eletrônica, ele (um purista) ganha muito dinheiro no início da década de 1990, para sofrer um revés, logo depois, com a chegada de estilos como “trance” e “techno”.

Mas Paul, como outros personagens, incluindo aí seu amigo suicida Cyril (Roman Kolinka), não estão lá para reverência. As lentes praticamente documentais de Mia, que acompanham a história por mais de 20 anos, exploram o vazio elementar da turma de DJs, que não tiveram a competência e inovação de seus contemporâneos Daft Punk (que aparecem com atores e pré-vestimentas robóticas que os caracterizam hoje).

Não por acaso, um dos capítulos do filme, “Lost in Music” (ou perdido na musica), é, em si, intoxicante não apenas para o espectador, mas para os personagens, que marcham para o fim inegável da mediocridade. Entra em perspectiva, então, a falta de sintonia dos protagonistas com a vida real, esta  longe da música, que os desafia a ganhar dinheiro.

Com a participação especial da atriz Golshifteh Farahani, atriz ameaçada por seus compatriotas iranianos por posar nua na França, a produção fala mais de alguém que se perde no meio do caminho, do que da música em si. O que dialoga com os projetos anteriores da diretora francesa, mas não flui para além do que se vê na tela. Paul, por mais significados que tenha, é ainda assim insignificante.

Como a narrativa temporal abarca mais de 20 anos, o diretora também não consegue presumir a hora de criar um anticlímax. Segue, como Paul, para o fim, sem entregar algo que realmente possa lhe dar algo envolvente, para além do comum e corrente. 

Rodrigo Zavala


Trailer


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