Libertem Angela Davis

Ficha técnica

  • Nome: Libertem Angela Davis
  • Nome Original: Free Angela and all Political Prisoners
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: França
  • Ano de produção: 2012
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 102 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Shola Lynch
  • Elenco:

País


Sinopse

Documentário relembra a figura de Angela Davis, professora de filosofia nascida no Alabama e conhecida por seu engajamento político. Quando Angela defende três prisioneiros negros nos anos 1970, ela é acusada de organizar uma tentativa de fuga e sequestro, que levou à morte de um juiz e quatro outras pessoas. Nesta época, ela se tornou a mulher mais procurada dos Estados Unidos, sendo indiciada, numa tentativa de condená-la à morte.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

30/09/2014

Num tempo em que o ativismo pode ser reduzido a uma mera participação em redes sociais, ou manifestações de rua extemporâneas, é mais do que oportuno rever este documentário, que relembra a trajetória de uma das mais fascinantes ativistas do último século, Angela Davis.
 
Nascida no Alabama, professora de Filosofia formada entre a França, Alemanha e a Califórnia – onde foi aluna do filósofo Herbert Marcuse -, dona de um discurso articulado e presença magnética onde quer que esteja, Angela tornou-se uma inegável musa da esquerda – por sua coragem, e não por sua estampa, marcada pela invejável cabeleira Black Power, dentinhos separados, à la Nara Leão, e minissaias estampadas, bem fieis ao espírito de sua época.
 
Angela era uma mulher de opinião e de ação, que aderiu de peito aberto à causa dos direitos civis, ao lado dos Panteras Negras, e nunca escondeu sua condição de comunista. Coisas que, por si sós, fizeram com que perdesse seu emprego, na Universidade da Califórnia e fosse objeto de uma implacável perseguição pessoal por parte do então governador Ronald Reagan, do presidente Richard Nixon e do notório comandante do FBI, Edgar J. Roover.
 
Evidentemente, Angela não era o único alvo desse trio. Inúmeros outros ativistas, não só negros, também. Mas o objeto deste eletrizante documentário da diretora Shola Lynch, produzido pelo casal de atores Will Smith e Jada Pinkett Smith, é uma conspiração em particular contra Angela – aquela que a implicou, nos anos 1970, na tomada de uma corte de justiça, em Marin County, por simpatizantes dos Panteras, que culminou numa tomada de reféns e na morte de cinco pessoas, incluindo o juiz federal Harold Haley.
 
Armas legais, registradas em nome de Angela, teriam sido encontradas no local, o que municiou o processo que a indiciou como co-responsável por conspiração, sequestro e assassinato das vítimas – embora não houvesse qualquer evidência que sustentasse o envolvimento da professora. Ela apenas era próxima do adolescente de 17 anos, Jonathan Jackson, que planejara o ataque para libertar um irmão, preso também por militância política, George Jackson, um dos famosos “Soledad Brothers” (outro processo exemplar de perseguição aos militantes negros).
 
Mesmo sem provas, o indiciamento foi sério o suficiente para colocar Angela em risco de ser condenada à morte – aplicável nas três acusações que lhe couberam -, porque, na época, a pena capital ainda existia no estado da Califórnia.
 
Ainda que saibamos o final da história – a própria Angela madura, aos 70 anos, aparece no filme -, o documentário consegue reproduzir em ritmo de suspense episódios como sua fuga, sua captura e prisão por 17 meses, inclusive em solitária, o aprofundamento do relacionamento mantido à distância com George Jackson – que, em última análise, complicava sua situação -, as diversas etapas de sua defesa, as campanhas a seu favor em todo o mundo, reconstituindo, enfim, o clima de uma época efervescente e polarizada. Para isso, conta com rico material de arquivo e depoimentos de diversos participantes dos acontecimentos – como a professora Bettina Aptheker, a irmã de Angela, Fania Davis, e seus advogados, como Leo Branton Jr. (que morreu em 2013). 

Neusa Barbosa


Trailer


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