Rocha que Voa

Ficha técnica

  • Nome: Rocha que Voa
  • Nome Original: Rocha que Voa
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2002
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 94 min
  • Classificação: 14 anos
  • Direção: Eryk Rocha
  • Elenco:

País


Sinopse

Documentário de Eryk Rocha sobre seu pai, o cineasta Glauber Rocha.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

07/03/2003

Este documentário, com roteiro e direção de Eryk Rocha, lança luz sobre um dos períodos menos conhecidos da vida de Glauber Rocha, os quase dois anos em que viveu exilado em Cuba, entre 1971 e 1972. O filme é construído sobre duas longas entrevistas dadas pelo cineasta durante esta passagem e uma terceira em 1979/1980.

Num determinado ponto, Glauber é questionado porque nunca havia feito um documentário, ao que ele responde "não tenho a cultura do documentário, jamais me senti inclinado a fazer um". Talvez esteja aí a chave para se entender a leveza e a total liberdade com que Eryk conduz a narrativa. Documentar a importância de um dos nossos maiores cineastas e, ao mesmo tempo, (re)descobrir a figura do pai que mal chegou a conhecer - Glauber morreu quando Eryk tinha três anos -, poderia não ter um bom resultado numa ficção. Ao trafegar num território inexplorado pelo pai, ele consegue conciliar imagens e depoimentos de cineastas e pessoas comuns de Havana com a exuberância verbal de Glauber, sem jamais perder o ritmo.

Após a efervescência do início dos anos 1960, quando tanto o Cinema Novo, no Brasil, e o Cinema Revolucionário cubano ganharam as telas do mundo e agitaram a cinematografia mundial, Glauber era o mais respeitado cineasta brasileiro, mas um exilado em sua própria terra, onde incomodava os senhores de plantão. Sua breve passagem por Havana o marcou profundamente.

Vivendo entre outros expoentes do cinema latino-americano e em constante contato com o povo, Glauber pode sentir o impacto que o seu cinema causava fora da sua terra. E o já inquieto baiano, como gostava de ser classificado, encontrou ali um terreno fértil para dar vazão a toda sua criatividade. Participava de debates após as sessões de seus filmes, escrevia poesia e lutava para consolidar o que acreditava ser a única saída possível para o continente - só o artista em perfeita união com o povo poderia fazer a revolução e libertar-se das idéias colonialistas que ganhavam cada vez mais terreno.

Eryk, ao reunir depoimentos e fragmentos de filmes que marcaram estas duas correntes, constrói não só um painel riquíssimo da época como leva o espectador a repensar os caminhos do cinema atual. Com um olhar atento, nos permite não só conhecer um pouco mais destes movimentos, como também aponta saídas para uma nova maneira de utilizar a arte como instrumento de consolidação de uma identidade latino-americana.

Cineweb-20/9/2002

Ana Vidotti


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