Educação Sentimental

Educação Sentimental

Ficha técnica


País


Sinopse

Áurea é uma mulher madura e intelectual que se encanta com o jovem Áureo. Na casa dela, ela lhe conta sua vida e lhe mostra seus objetos de arte, numa incessante troca de informações e sensações.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

10/12/2013

É possível decifrar Educação Sentimental, novo filme de Julio Bressane, que empresta o título de um romance do francês Gustave Flaubert, de muitas formas. Como todos os seus trabalhos, trata-se de um experimento audiovisual impregnado de citações literárias, de objetos de artes plásticas e fragmentos de natureza em estado bruto pontuando essas criações humanas como signos do tempo.
 
A beleza e a cultura estão no centro do encontro entre um jovem, Áureo (Bernardo Marinho), e uma mulher madura, Áurea (Josie Antello). Encantada com o belo rapaz, ela o contempla longamente, de longe, quando ele nada numa piscina. Esse olhar o aproxima dela, para dar início ao longo colóquio do filme, em que ela é quem fala, ele escuta.
 
Há um olhar que olha o outro, mas não há nada de espelho. Dona da palavra, Áurea fala da lenda da paixão da deusa Lua por Endimião, pastor que dormia numa caverna, um relacionamento proibido, que rompe as regras de convivência entre deuses e mortais. Conta sua vida, falando de seus pais intelectuais, de sua longa relação com a literatura – ela escreve romances, e também ensaios, mas não os publica. Toda a sua bela casa é como um museu, que guarda belas porcelanas, quadros, objetos, cujo valor ela conhece e ensina a Áureo. É como se quisesse transmitir a ele a história do humanidade pela sua própria.
 
Áureo, por sua vez, é dono da juventude, da beleza, da disponibilidade de absorver. E, mais de uma vez, ensaia a aproximação física com Áurea, que dança com ele balés estranhos, hipnóticos, mas parece ter limites no que estipulou em sua relação com ele.
 
Há um jogo de sedução, não só entre eles, mas do próprio enredo com a câmera, com o sentimento do cinema diante de suas inovações técnicas. Não é por acaso que a porção final incorpora os bastidores da filmagem, como num ritual antropofágico, de auto-devoração das referências e dos artesãos que o construíram.

Neusa Barbosa


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