A religiosa

Ficha técnica


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Sinopse

Jovem descobre que é fruto de uma relação extraconjugal da mãe e é mandada para o convento. Lá é obrigada a fazer os votos e sofre maus-tratos nas mãos da jovem madre superiora. Quando, finalmente, é transferida, sua nova superiora se apaixona por ela e a assedia.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/09/2013

O diretor Guillaume Nicloux foi buscar num romance do século XVIII, de Diderot, a base para esse drama da jovem bastarda renegada pela família que é obrigada a fazer os votos e se tornar uma freira. Já filmado, em 1966, por Jacques Rivete, com Anna Karina no papel-central, o longa aborda a hipocrisia da religião, e, como o romance, se torna uma crítica ácida à qualquer forma institucionalizada de religião – não apenas ao catolicismo.
 
Boa parte da força do filme está nas mãos de Pauline Etienne, jovem atriz que não se intimida em seus embates com atrizes do porte de Isabelle Huppert. A garota interpreta Suzanne Simonin, fruto de um relacionamento extraconjugal de sua mãe (Martina Gedeck). Quando fica sabendo disso, aquele que até então era considerado seu pai (Gilles Cohen) avisa que a garota não receberá qualquer dinheiro, e, portanto, nenhum homem a tomará como esposa. Só lhe resta o convento.
 
Por trás das grandes portas pesadas da instituição, o que ela menos encontra é caridade cristã. Sua única amiga é a Madre Superiora, e quanto esta morre, a garota se torna objeto de ódio e bullying da sucessora, a jovem Madre Superior Christine (Louise Bourgoin). É curioso como as disputas pela atenção, por postos superiores, ou mesmo a inveja – tudo tão mundano – esteja tão presente no cotidiano dessas moças confinadas.
 
Num segundo convento, este sob a supervisão da Madre Saint-Eutrope (Isabelle Huppert), Suzanne passa a sofrer outro tipo de assédio: se torna objeto de desejo da sua superiora, despertando o ciúme de outra colega. Enfim, nos conventos criados por Diderot, e retratados no filme, ninguém se salva.
 
Como em outros filmes recentes sobre instituições religiosas – Em nome de Deus e Além das montanhas – a crença não liberta, pelo contrário, aprisiona. E, a religião, enquanto instituição, parece ir contra exatamente aquilo que prega: generosidade, compreensão e amor ao próximo. Filmes como esses são capazes de levantar uma discussão pertinente.

Alysson Oliveira


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