Almas silenciosas

Ficha técnica


País


Sinopse

Quando fica viúvo, Miron resolve dar à sua mulher um funeral seguindo antigas tradições. Para isso, deverá viajar até o centro-oeste da Rússia, e contará com a ajuda de seu melhor amigo para realizar esse propósito.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

23/08/2013

Um intrigante clima de estranheza impregna, desde os primeiros minutos, o original drama russo Almas Silenciosas, de Aleksei Fedorchenko, que constrói um relato de afetos, perdas e superações em cima de silêncios tão eloquentes quanto as palavras.
 
A trama, extremamente simples, trata da jornada de dois amigos, Miron (Yuriy Tsurilo) e Aist (Igor Sergeev), para realizar os ritos fúnebres da esposa do primeiro, Tanya (Yuliya Aug), segundo a cultura dos Merjan – etnia de origem finlandesa que se dissolveu entre os povos eslavos, mas mantém vivos alguns de seus costumes, como preparar pessoalmente os corpos de seus mortos.
 
Uma das mais belas sequências mostra Miron e Aist lavando e enfeitando o corpo de Tanya, repetindo detalhes dos curiosos hábitos dos Merjan para o casamento – como adicionar longos fios coloridos aos pelos pubianos.
 
Há uma estranha cumplicidade, e também uma tensão velada, nesse cuidado dos dois homens com o corpo de Tanya, jovem esposa do maduro Miron, diretor de uma fábrica de papel em que ela e Aist eram funcionários, além de amigos entre si.
 
No caminho até o destino final, ao lado do rio Oka, onde aconteceu a lua-de-mel do casal, Miron fala sem parar de sua intimidade com Tanya, transformando sua dor em ternura, com total compreensão de Aist – que é o narrador de uma história que se desenrola em flashback, o que contribui para o clima surreal que aumenta progressivamente.
 
De tempos em tempos, a voz de Aist introduz os próprios comentários ao relato de Miron, contradizendo em parte a idealização do amigo sobre sua vida com Tanya. Aist também insere memórias da própria vida, lembrando o pai poeta e sua máquina de escrever, um dia sepultada no gelo.
 
Todos estes detalhes inusitados, ao lado dos pássaros comprados por Aist antes da viagem e levados no carro, somam-se para a criação de uma atmosfera poética que não subtrai em nada a força dramática do roteiro de Denis Osokin - que encontra uma aliada indispensável e poderosa na fotografia primorosa de Mikhail Krichman, prêmio de Excepcional Contribuição Técnica no Festival de Veneza 2010.
 
A direção segura de Aleksei Fedorchenko sustenta um realismo mágico não contradiz o naturalismo, muito pelo contrário, numa ambiguidade que acentua a permanência emocional do filme muito depois que sua projeção termina.

Neusa Barbosa


Trailer


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