Ressurreição [2001]

Ficha técnica


País


Sinopse

No final do século XIX, o príncipe Dmitri é convidado a integrar o júri no julgamento de três acusados de um assassinato. Ao chegar ao tribunal, reconhece numa das acusadas, a prostituta Katiuscia, a jovem criada que ele seduziu e abandonou anos atrás.


Extras

áudio: dolby digital 2.0; vídeo: widescreen 1.78:1


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

01/08/2013

Inédita até agora no Brasil, a vibrante minissérie em dois capítulos, dirigida pelos premiados diretores italianos Paolo e Vittorio Taviani, transpõe para a tela todos os sons e fúria do último grande romance do russo Liev Tolstoi (1828-1910).
 
Amantes da literatura, os cineastas, que já adaptaram antes Luigi Pirandello, J. W. Goethe, Gavino Ledda e o próprio Tolstoi, conseguem, mais uma vez, realizar um filme intenso, sem ranço de filme de época, enfatizando as contradições da condição humana que se expressam de diferentes formas em cada momento, mas continuam essencialmente as mesmas.
 
No final do século XIX, desenrola-se um melodrama cujos protagonistas são a prostituta Katiusha Maslova (Stefania Rocca) e o príncipe Dimitri Necklivdov (Timothy Peach). Katiuscia está sendo julgada, junto com outras duas pessoas, por envolvimento num assassinato. O príncipe é um dos jurados.
 
Ao reparar no rosto da moça, no tribunal, Dimitri recorda-se de uma história bruta e mal-resolvida de seu próprio passado, cujo resultado está diante de seus olhos. Anos atrás, o príncipe havia seduzido e abandonado Katiuscia, então criada de suas tias. Não mais soube dela, até este momento.
 
Revela-se, em flashback, este passado, causa de um profundo complexo de culpa no príncipe, que se devota, a partir do julgamento, numa tentativa, por vezes desesperada, de salvar Katiuscia.
 
Fazendo jus à grandeza do drama romântico do genial escritor russo, os irmãos Taviani delineiam estes e outros personagens com as nuances devidas para que ultrapassem os meros clichês ambulantes. Com isso, o filme respira e vibra sua vida a cada fotograma – aliando-se a uma excepcional fotografia (de Franco Di Giacomo), montagem (Roberto Perpignani) e trilha sonora (de Nicola Piovani).
 
A atriz italiana Stefania Rocca brilha no papel de Katiuscia, uma personagem feminina que é o sonho de qualquer intérprete, em sua mistura de fragilidade e força, sua obstinação em apegar-se ao último fiapo de dignidade que lhe resta – e que se traduz na recusa a desposar Dimitri.
 
Também fazendo justiça ao texto original, os diretores não poupam esforços para contextualizar o romance complicado, num limiar de século XX em que persistem leis absurdas, privilégios encrustados, hipocrisia latente na elite e nas instituições, como a Suprema Corte. Nada que seja estranho ao nosso tempo atual.
 
Algumas sequências ficam na memória, como o transporte de presos rumo à Sibéria, por trem, cena que lembra os tristemente famosos deslocamentos de prisioneiros rumo aos campos de concentração da II Guerra. E também as cenas em que o príncipe procura doar suas terras aos camponeses que nelas habitam, gerando desconfiança e tumulto entre eles – momento exemplar para retratar o estado de coisas entre as classes, poucos anos antes da Revolução Russa de 1917.

Neusa Barbosa


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