Qual é o nome do bebê?

Ficha técnica


País


Sinopse

Babu oferece um jantar para seu irmão e sua mulher grávida. Ao longo da noite, diversas verdades e segredos vêm à tona.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

12/03/2013

Às vezes, não são necessárias estripulias narrativas ou visuais para se fazer um grande filme – veja o francês Qual o nome do bebê?, comédia de humor negro, engraçada, melancólica, abusada e, ao seu modo, ambiciosa. Baseada numa peça de Matthieu Delaporte – que assina o roteiro e direção com Alexandre de La Patellière – o longa mantém o que o teatro pode oferecer de melhor: o texto.
 
Os diálogos são afiados e crescem em função da narrativa, cada vez mais densa, mais tensa. É um daqueles filmes nos quais os personagens jogam suas frustrações, entre outras coisas, no ventilador, e isso se espalha para todo lado, num efeito dominó que irá devastar a todos. Centrando-se apenas nas salas de estar e de jantar de um apartamento de classe média de Paris, em momento algum o filme soa claustrofóbico, porque há tanta vida dentro dos personagens que não é preciso sair de um ambiente para o filme expandir.
 
Os personagens são, em ordem de entrada: um professor de literatura da Sorbonne, Pierre (Charles Berling), e sua mulher, professora de escola pública, Babu (Valérie Benguigui) e o amigo de infância dela, um trompetista, Claude (Guillaume de Tonquedec). Por fim, chega Vincent (Patrick Bruel), irmão de Babu, e só mais tarde, no segundo ato, a mulher dele, Anna (Judith El Zein ), que está grávida.
 
Confinados a um apartamento, eles se enfrentam. Os desentendimentos começam quando Vincent conta – antes da chegada de Anna – que seu filho se chamará Adolphe – e enfatiza o PHE, o que, segundo o cunhado, não faz diferença, porque irá, de qualquer forma, "remeter ao monstro que dizimou metade da Europa". O embate assume proporções gigantescas e, mesmo depois de resolvido, não deixará de pairar sobre o grupo com a chegada de Anna que, como os outros, envolvida numa comédia de erros promovida pelo marido, irá causar estragos.
 
Os atores, a direção e o texto são capazes de trazer à cena personagens reais, humanos o que faz com que o público não apenas se importe com eles, como também os conheça muito bem. Faz lembrar, de certa forma, O Deus da Carnificina, de Roman Polanski, que, apesar de filmado em inglês, também é baseado numa peça homônima da dramaturga francesa Yasmina Reza. Ambos são herdeiros da tradição buñuelesca de O Anjo Exterminador, em que um grupo de burgueses não conseguem deixar uma festa.
 
Obrigados a se encarar – sem outra opção – tornam-se absurdamente honestos e se ferem emocionalmente em afiados duelos verbais.  A direção aqui faz o que deve fazer nesse tipo de filme: não atrapalha os atores ou os personagens, deixa que a ação transcorra por meio do texto. Apenas um pequeno epílogo parece ter sido criado especialmente para o filme e soa um pouco deslocado, mas nada que enfraqueça demais o que se viu até então.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 15/03/2013 - 17h38 - Por Cesar Obrigado por me contar o filme.
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