A bela que dorme

Ficha técnica


País


Sinopse

Senador italiano enfrenta um problema familiar ao passar pela dramática escolha de desligar os aparelhos que mantêm viva sua mulher, em coma. Ele recebe a oposição da filha, que se torna uma militante pró-vida, mas se apaixona por um rapaz que tem posições opostas.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

14/02/2013

Desde o seu longa de estreia, De Punhos Cerrados (1965) – realizado quando tinha apenas 26 anos -, o diretor italiano Marco Bellocchio define os pontos cardeais de um universo temático, que vem explorando ao longo de mais de quatro décadas com notável liberdade de pensamento e coerência: a família, a religião e o poder instituído, seja na política, na polícia ou no sistema hospitalar.

O pessoal e o coletivo unem-se, mais uma vez, em A Bela que Dorme, o mais recente trabalho do cineasta, que competiu pelo Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2012. A história parte de um evento real, o caso Eluana Englaro, moça que ficou por 17 anos em coma na Itália e cujo pai lutou na justiça para desligar os aparelhos que a mantinham viva, em 2009.
 
Sem citar o nome de Eluana, mas remetendo claramente à batalha judicial e parlamentar que sacudiu a Itália em torno da eutanásia, Bellocchio afasta-se cada vez mais dos acontecimentos reais, usando-os como pretexto e pano de fundo para ficcionalizar e falar do que lhe interessa. Ou seja, de como o institucional pesa sobre a vida pessoal e vice-versa, em prejuízo da liberdade de pensamento e ação.
 
Toni Servillo interpreta Uliano Beffardi, um senador que passou pela dramática escolha de desligar os aparelhos da própria mulher, ganhando a oposição da filha, Maria (Alba Rohrwacher) – que se torna uma militante pró-vida, mas se apaixona por um rapaz que defende posições opostas, Roberto (Michele Rondino). Agora, o senador agora deve votar contra ou a favor de um projeto de lei que procura restringir a liberdade de decisão de familiares em caso da manutenção do suporte de vida a pacientes cronicamente incapacitados.
 
Isabelle Huppert atua como a Divina Madre, uma grande atriz que abandonou a carreira para cuidar da filha jovem, presa a um coma sem solução à vista. Maya Sansa, atriz de Bom dia, Noite, aqui é Rossa, uma drogada que tenta suicidar-se, impedida por um médico, o persistente dr. Pallido (Pier Giorgio Bellocchio).
 
O veterano Roberto Herlitzka (o Aldo Moro em Bom dia, Noite) interpreta um político e psiquiatra, a quem cabem alguns dos melhores diálogos deste filme profundamente contemporâneo e rico em significados, ao qual não falta uma ironia da melhor qualidade, fora a criatividade visual. As sequências que mostram os políticos numa espécie de sauna, envolvidos em panos brancos, lembrando os antigos senadores romanos, diante da televisão que acompanha a votação do projeto de lei, estão entre algumas de suas melhores imagens.
 
A marca do mestre em ação está na segurança com que Bellocchio maneja as diversas posições em jogo sem procurar impor suas certezas sobre o público. Este enfoque plural permite que A Bela que Dorme escape da camisa-de-força que cerca os chamados “filmes de tese”, até porque ele não elege nenhuma.
 
Na Mostra Internacional de São Paulo em 2012, Bellocchio venceu o prêmio de melhor filme para o júri de críticos. Em Veneza, foi premiado como revelação o ator Fabrizio Falco, que interpreta o irmão do militante Roberto, que tem problemas psicológicos e atormenta a rotina de sua família.
 
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Neusa Barbosa


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