Fanny & Alexander

Ficha técnica

  • Nome: Fanny & Alexander
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Suécia
  • Ano de produção: 1982
  • Gênero: Filme de época, Drama
  • Duração: 508 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Ingmar Bergman
  • Elenco:

País


Sinopse

Como todos os anos, o clã Ekdahl reúne-se na ampla casa da matriarca para a festa de Natal de 1907. Logo mais, a morte de Oscar, diretor do teatro que está ligado à família, abre uma temporada trágica para sua viúva, a atriz Emilie, e seus filhos, Fanny e Alexander - especialmente quando ela decide casar-se novamente com o bispo Evard Vergerus.


Extras

O pacote completo reúne a versão para cinema (188 min.), a minissérie para TV em quatro episódios (320 min) e diversos extras, como os documentários "Bergman dá adeus ao cinema", "A tapeçaria bergmaniana" (139 min.) e o "Diário de uma filmagem" (110 min.), conduzido pelo próprio Bergman, e também o trailer para cinema.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

17/01/2013

O relançamento de Fanny & Alexander, de Ingmar Bergman, em sua versão cinematográfica, na versão mais longa da série de TV e vários extras documentais permite reviver, de maneira mágica e primorosa, cada detalhe desta obra monumental, em que o diretor prometeu sua despedida do cinema. Na verdade, esta despedida acabou se concretizando em 2003, quando o filme feito para TV Sarabande chegou às telas.
 
O que um filme de trinta anos atrás tem a nos dizer ? Muito, por ser aquele tipo de obra maior que já nasce um clássico, unindo drama, comédia, poesia, tocando o caráter eterno da ficção, o permanente retorno da imaginação, da fantasia e seu insuperável poder de reinvenção da vida.
 
Sendo uma história de cunho altamente autobiográfico, escrita pelo próprio Bergman, o cenário não poderia deixar de passar pelo teatro, a casa em que seu instinto criador elegeu como ponto de partida. Pertence ao teatro o clã Ekdahl, a família central cujas aventuras acompanhamos pelo olhar de duas crianças, Fanny (Pernilla Allwin) e Alexander (Bertil Guve). Curiosamente, Bergman nunca havia trabalhado antes com crianças.
 
Para quem nunca assistiu à série de TV, da qual o filme do cinema é uma versão reduzida, esta é uma grande chance de ampliar a fruição da saga desta família apaixonada e contraditória, vista através da fabulação de Alexander, menino imaginativo e com poder de enxergar os mortos, um dom que é seu primeiro fardo na trajetória de tornar-se adulto.
 
Começando com a festa de Natal na grande casa dos Ekdahl, em 1907, abre-se a porta para um retrato pintado com o maior apuro e beleza desta que parece ser a primeira família do mundo, aquela que funda os ritos iniciais da vida. Não é perfeita, é marcada pelas paixões e rivalidades, com seu destino ligado ao teatro, arte quase da idade da humanidade em que se guarda uma memória não só da imaginação como da espécie, um espaço de liberdade, de licença, demarcando um lugar onde tudo é possível e pode ser reinventado no dia seguinte. Também um lugar da transitoriedade, intenso mas finito como a vida.
 
A morte de Oscar (Allan Edwall), diretor do teatro, durante os ensaios de Hamlet – onde interpretaria, por ironia, o fantasma do pai – abre a estação de sofrimentos para Fanny, Alexander e também sua mãe, Emile (Ewa Fröling). Quando ela pensa resolver a instabilidade que se segue à viuvez casando-se com o bispo Edvard Vergerus (Jan Malmsjö), é como se o aspecto mais inquisitorial da Idade Média invadisse o território iluminista e um tanto permissivo demarcado pelos Ekdahls.
 
A sombria casa do bispo, dominada por sua mãe, irmã e empregadas doentiamente moralistas, torna-se uma prisão para Emilie e sobretudo para as crianças, especialmente o Alexander que confronta o padrasto e é severamente castigado por isso. Traduz-se neste segmento a mais pura expressão de um confronto do fundamentalismo, oposto à arte, que Emilie é obrigada a abandonar, e à própria vida.
 
A luta para o retorno do trio desgarrado ao clã Ekdahl, com a singular participação do amigo judeu, Isak (Erland Josephson), carrega de emoções essa volta triunfal, de renovação de vida. Outra festa fecha a reincorporação do trio, com um novo bebê, celebrando a constante renovação da arte, apesar das perdas, das mortes, dos fantasmas que se carrega.
 
Os saborosos extras documentais, caso de Diário de uma Filmagem, conduzido pelo próprio Bergman, Bergman dá Adeus ao Cinema e Uma Tapeçaria Bergmaniana, dão a sensação de assistir a uma magnífica peça e aos seus bastidores, tamanha a riqueza de detalhes e o calor dos depoimentos. Grande programa para matar um pouco da saudade do mestre Bergman.

Neusa Barbosa


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