O homem da máfia

Ficha técnica


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Sinopse

Frankie e Russell são dois pés de chinelo em um tostão. Frankie está na condicional. Um dia, um amigo, ex-presidiário, propõe um golpe aos dois - assaltar uma banca de jogo ilegal, que já foi roubada anos atrás por seu próprio administrador, Markie Trattman. Ele não pagou o pato da primeira vez, mas agora deve ser justiçado. Os chefões do crime mandam um emissário contratar Jackie Cogan, matador de aluguel que deve liderar o acerto de contas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

27/11/2012

As afinidades entre a política, o mercado financeiro e os gângsters são tratadas da maneira mais cínica no drama policial O Homem da Máfia, nova parceria entre o diretor neozelandês Andrew Dominik e o astro Brad Pitt – que, como fizera em A Morte de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (2007), protagoniza e produz o filme dirigido e roteirizado por Dominik.

Mais uma vez, o ponto de partida de Dominik é um livro, no caso, “Cogan’s Trade”, de George V. Higgins, cujo enredo ele traz para 2008. E a assinatura visual do filme, que concorreu à Palma de Ouro em Cannes 2012, é inconfundível.

Valendo-se do recurso da câmera lenta em cenas de violência – um contraste acentuado pelo uso de músicas românticas – e diálogos inusitados por serem ditos por quem são, Dominik compôs mais uma obra que ultrapassa o filme de gênero e é valorizada por uma precisa direção de atores. Aliás, o casting é o primeiro ponto forte de O Homem da Máfia.

Dois ladrões pés-de-chinelo, Markie (Scoot McNairy) e Russell (Ben Mendelsohn), assaltam uma casa de pôquer ilegal, a partir da dica de um amigo, o ex-presidiário Johnny Amato (Vincent Curatola). O golpe tem tudo para ser o crime perfeito, porque a culpa deve cair nas costas de Markie Trattman (Ray Liotta) – o administrador da casa de jogo, que foi o mandante de um outro assalto ali mesmo anos atrás.

Embora todos os espertos do submundo saibam da culpa de Markie no golpe do passado, ele não pagou por isso – nada foi provado, ele levou uns sopapos e ficou por isso mesmo. Mas, na suposta reincidência, ele vai pagar o pato, até porque esse tipo de roubo paralisa por um bom tempo todo o lucrativo circuito do jogo ilegal.

Furiosos com o prejuízo, os chefões – nunca identificados – querem punição exemplar. Primeiro, para Markie. Assim, o “motorista” (David Jenkins), em nome dos chefões, convoca o melhor matador da praça, Dillon (Sam Shepard). Como ele não pode ir, envia em seu lugar o não menos respeitado Jackie Cogan (Brad Pitt).

A terceirização do crime não pára por aí. Como Cogan é conhecido de Johnny Amato e ele detesta matar conhecidos – “fica emocional demais”, segundo ele -,chama um outro colega para este serviço, Mickey (James Gandolfini, de Família Soprano).

Todas as longas conversas para o planejamento de roubos e mortes evidenciam o modus operandi de uma verdadeira economia paralela – em que os matadores sentem tanta piedade por suas vítimas quando os tubarões do mercado financeiro demonstraram pela apropriação das economias de investidores desavisados na crise mundial de 2008.

O tempo todo, vê-se nas televisões ligadas em bares e lanchonetes vários trechos da primeira campanha eleitoral de Barack Obama, então enfrentando John McCain.

A política, aliás, é vista com total desdém por todos os envolvidos. E o matador inteligente e implacável vivido por Brad Pitt tem as frases mais eloquentes de uma história totalmente niilista sobre os famosos ideais da nação norte-americana. Nisso, também, O Homem da Máfia mostra ser bem mais do que apenas um filme de gângsters, embora a lista de cadáveres pelo caminho não seja nada desprezível. 

Neusa Barbosa


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