Copacabana

Ficha técnica


País


Sinopse

Babou é uma mulher que nunca deu bola para as convenções e aparências e sempre viveu como quis. Mãe solteira, ela vive com a filha Esme, que é bem mais certinha. Tanto que resolve casar. Mas, com medo que a mãe dê algum vexame, pede que ela não vá ao seu casamento. O que provoca um choque na mãe, que resolve mudar algumas atitudes.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/10/2011

Uma das grandes atrizes do cinema francês, mais conhecida por seus muitos papéis dramáticos – como A Professora de Piano e Minha Terra, África -, Isabelle Huppert surpreende, agradavelmente, ao defender uma comédia, Copacabana – em que o nome não é gratuito, tem a ver com uma utopia dela envolvendo o Brasil.
 
Babou, a personagem de Huppert, parece à prova do tempo, que passa e ela não muda. Sua filha Esme (Lolita Chammah, filha verdadeira da atriz) cresceu, virou uma moça, e a mãe continua relax, cuca fresca, anticonvencional. A começar pelo figurino. Babou ignora o que seja moda. Veste seus vestidos curtos, suas botas, suas echarpes em cores vivas e vai em frente. O importante é sentir-se livre, sentir-se bem.
 
Tanto descompromisso incomoda Esme, que planeja um casamento certinho – para horror da mãe – e tem vergonha de Babou. Temendo que ela dê algum vexame na frente dos pais caretas de seu noivo idem, a filha resolve pedir que a mãe não vá à cerimônia.
 
A situação deixa Babou magoadíssima. Afinal, ela está longe de ser desprovida de sentimentos, embora em geral só leve em conta os próprios. Diante da humilhação, resolve provar a Esme que é capaz de cuidar melhor da própria vida. Para começar, arranjando um emprego fixo.
 
O novo trabalho implica a mudança de Babou para uma cidade litorânea e fria da Bélgica, onde ela terá que vender apartamentos no sistema time-share para turistas. Missão difícil – o lugar é gelado e cinzento e o negócio, caro, complicado e cheio de armadilhas.
 
Ainda assim, até por contar mais com o próprio instinto e esperteza do que com as técnicas protocolares ensinadas em seu precário treinamento, Babou encontra um jeito de se dar bem – especialmente porque descobre que o melhor lugar para capturar os turistas é na saída de um porto, onde eles desembarcam em penca. Alguns são fisgados pela conversa de Babou, que consegue até ser promovida.
 
O sucesso não diminui o ritmo dos sonhos de Babou, cujo projeto de vida é conhecer o Rio de Janeiro, sendo apaixonada pela música do país. Músicas como Canto de Ossanha, na voz de Astrud Gilberto, e Partido Alto, com Chico Buarque, além de outras com Jorge Ben e Marcos Valle, pontuam a trilha – que termina com uma sequência apoteoticamente cômica e que é melhor não revelar, deixando para o espectador descobri-la no cinema.
 
O importante é que o filme do diretor e roteirista Marc Fitoussi é esperto o bastante para dar espaço à sua protagonista para brilhar, dando conta de abordar muitos assuntos sem perder o rumo. Uma discussão da contemporaneidade entra forte na composição desse universo do trabalho, dominado por uma lógica gélida e canibal das relações corporativas, que Babou cedo ou tarde terá que confrontar.
 
A própria ligação da personagem com um jovem casal de homeless, Amandine (Nelly Antignac) e Kurt (Guillaume Gouix), é outro bom termômetro desse pé na realidade que a história não perde de vista, sem pretender pisar fundo demais no discurso social.
 
Um componente essencial, o conflito entre mãe e filha, é conduzido com uma complexidade, riqueza de detalhes e sentimentalismo sem excessos que é de se comemorar. Copacabana tem o coração do lado certo mas nem por isso abusa desse direito.

Neusa Barbosa


Trailer


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