Infidelidade

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Crítica Cineweb

24/02/2003

Ex-publicitário, o diretor inglês Adrian Lyne cometeu apenas oito filmes, incluindo este, em sua breve, mas barulhenta carreira de cineasta. Prova de que ele continua, mais do que nunca, um bom marqueteiro em causa própria. Afinal, personagens e situações de seus filmes não têm, a rigor, nada que possa realmente chocar platéias adultas. Nada de realmente transgressor pode ser encontrado (nem procurado) em filmes como Atração Fatal ou Proposta Indecente, os parentes mais próximos de Infidelidade. Lyne é o cineasta do escândalo apenas para aqueles que já estão predispostos a ser escandalizados.

EmInfidelidade, armado de um roteiro que reflete o pior momento da dupla Alvin Sargent (Oscar por Julia e Gente como a Gente) e William Broyles Jr. (Apollo 13, Náufrago e Planeta dos Macacos), Lyne monta seu habitual cirquinho de perversões de butique e limita-se a puxar as cordinhas por trás de cada uma das marionetes da trama - pois de personagens reais não se trata. Constance, ou melhor, Connie Sumner (Diane Lane), é a típica perua casada e bonita de classe média alta, mofando de insatisfação sufocada numa daquelas casas maravilhosas que têm tudo dos prósperos subúrbios de Nova York. O filho (Erik Per Sullivan) e o marido bonitão mas desatento e superocupado, Edward (Richard Gere), não têm mesmo como mantê-la ativa e energética todo o tempo. Assim, num dia de ventania infernal, ela anda pelas ruas com as sacolas dos presentes de aniversário do filho nas mãos, quando o destino, esse perverso, a conduz rumo a um fatídico encontrão com um livreiro, Paul Martel (Olivier Martinez).

Bem mais jovem do que seu marido e francês, como convém a um chavão sobre a sensualidade (bem como referência à inspiração, muito vaga, da história em A Mulher Infiel, de Claude Chabrol), Paul desarruma a vida certinha de Connie, introduzindo em sua vida o sexo selvagem com algumas pitadas de perversão. Numa cena, ele pede à amante que lhe bata - apenas para que, quando ela o faz, ele dê vazão a uma agressividade que procura lembrar ao distinto público qual a natureza do vínculo entre os dois: algo assim como a conceituação binária entre crime e pecado.

Fiel à receita de Lyne, porém, o terceiro ato existe apenas para reintroduzir a culpa, a tragédia e a punição, com imagens de uma redundância atroz: a bicicleta que cai no gramado da casa de família, as luzes que mudam de verde para vermelho no farol. No final das contas, fica difícil decidir se o que incomoda mais no trabalho de Lyne é o moralismo ou a falta de imaginação.

Cineweb-14/6/2002

Neusa Barbosa


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