Em um mundo melhor

Ficha técnica


País


Sinopse

Os meninos Elias e Christian se tornam amigos na escola. A personalidade forte e vingativa de um irá influenciar ao outro, e mudar a vida das duas famílias. Drama dinamarquês ganhador do Oscar e do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/03/2011

Ganhador do Oscar e do Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira, o dinamarquês Em um mundo melhor, de Susanne Bier, se insere na tradição dos premiados nessa categoria que pouco refletem sobre o cinema fora dos Estados Unidos, mas muito ressoam junto aos interesses dos americanos.
 
Temas como bullying, sentimento de culpa europeu diante do Terceiro Mundo e famílias problemáticas agradam bem ao gosto dos votantes da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas, que deixam de lado filmes de maior valor artístico, como o argentino Abutres e o tailandês Tio Boonmee que pode recordar suas vidas passadas - este último ganhador da Palma de Ouro em Cannes 2010.
 
A diretora dinamarquesa Susanne Bier (Depois do Casamento) volta à sua terra natal depois de uma fraca incursão no cinema norte-americano com Coisas que perdemos pelo caminho (2007). Seu novo trabalho, cujo roteiro é assinado pelo seu colaborador frequente Anders Thomas Jensen, cruza a história de duas famílias consumidas pela culpa e o distanciamento.
 
Em um mundo melhor faz um paralelo entre dois países: Dinamarca e Quênia. Anton (o sueco Mikael Persbrandt) é um médico dinamarquês que viaja frequentemente à África para cuidar de mulheres que foram brutalmente atacadas por um chefão local. Em casa, ele tenta recuperar o amor de sua mulher, Marianne (Trine Dyrholm), e a confiança do filho, Elias (Markus Rygaard).
 
A outra família é a de Claus (Ulrich Thomsen), viúvo e pai omisso que volta da Inglaterra para a Dinamarca com o filho pequeno, Christian (William Johnk Nielsen), depois da morte da mãe do menino. As vidas dos dois garotos vão se cruzar quando Elias é humilhado por outro menino na escola e Christian decide tomar as dores. A reação é violenta e inesperada, surpreendendo especialmente o pai. O menino revela-se um garoto vingativo, cujo comportamento coloca em risco a vida não apenas do amigo, mas também de desconhecidos.
 
O retorno de Anton para casa o aproxima do filho, que passa a ver as atitudes do pai com outros olhos – especialmente influenciado pelas tendências do novo amigo. Elias e Christian passam a resolver qualquer tipo de problema usando violência. No Quênia, há um paralelo das ações do médico e das crianças. Mais tarde, Anton terá a chance de acertar as contas com o chefão da aldeia local, quando este precisa de sua ajuda.
 
Susanne e seu roteirista armam uma história moralizante cujo questionamento maior é: devemos oferecer a outra face para o inimigo? A resposta, como é de se esperar, não é simples e envolve muita discussão - mas o filme é um tanto simplista em sua resolução, exagerando nas manipulações emocionais e narrativas. A ideia vendida por Em um mundo melhor é que as pessoas retribuirão – tanto o bem, quanto mal – na mesma moeda. Então, por que não fazer apenas o bem? Num mundo ideal, isso seria perfeito – o nosso está muito longe disso.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança