Copacabana [2001]

Copacabana [2001]

Ficha técnica


País


Sinopse

Alberto, recém-nascido, foi abandonado na porta da Igreja de Nossa Senhora de Copacabana. Adotado pela própria Santa, sempre viveu no mesmo bairro. Ao morrer, aos 90 anos, relembra sua vida.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

19/07/2021

Em seu terceiro longa como diretora, Copacabana (2001), Carla Camurati volta sua câmera a uma parcela da população geralmente negligenciada no cinema brasileiro: a terceira idade. Seu filme é uma pequena joia que talvez não tenha recebido todo o reconhecimento na época de seu lançamento, mas merece ser redescoberto. O longa tem como protagonista Alberto, interpretado por Marco Nanini desde a juventude até seus últimos dias, com 90 anos.
 
Copacabana é o bairro considerado com a maior concentração de idosos do Rio, ao mesmo tempo, pulsante com uma juventude descolada – como bem se vê na abertura do longa. Nesse cenário conta-se a história de Alberto, um órfão deixado na porta da igreja que dá nome ao bairro, e recebido pela própria Santa, que o acolhe e o deixa sobre o altar. Ao longo de seus quase 100 anos de vida – praticamente o século XX todo –, o protagonista acompanha a história do país que, às vezes, se cruza com sua própria.
 
Alberto vive a vida toda em Copacabana, e sempre devoto da Santa, com quem conversa regularmente. Conformado, ele diz não temer a morte, e amigos já cogitam buscar num novo parceiro para o jogo de cartas, funcionários do prédio apostam quando ele irá morrer, e o protagonista parece realmente esperar apenas isso da vida - tanto que o filme começa com ele já no caixão, narrando sua trajetória tal qual um Brás Cubas.
 
Mas, literariamente pensando, Copacabana está mais próximo da crônica do que do romance. Sua estrutura possibilita a construção de vários episódios que tentam dar conta da experiência do protagonista ao longo dos anos. O primeiro amor está ao lado de acontecimentos históricos, como a Revolta do 18 do Forte, em 1922. Além disso, o filme traz um rico elenco de coadjuvantes que, de vez em quando, ganham status de protagonistas, entre um causo e outro de Alberto.
 
Camurati, que assina o roteiro com Melanie Dimantas e Lais Rodrigues, fala que temas que são tabu – como a sexualidade na terceira idade. Os personagens do filme são vivos, repletos de nuances e energia, belamente interpretados por atores e atrizes como Laura Cardoso, Walderez de Barros, Ida Gomes, Camila Amado, Pietro Mario.
 
Nesses 20 anos que separam Copacabana de hoje, o cinema brasileiro deu protagonismo a personagens mais maduros – como em Chega de Saudade, de Laís Bodanzky, O outro lado da rua, de Marcos Bernstein, Greta, de Armando Praça, protagonizado pelo próprio Nanini, ou o recente Noites de Alface, de Zeca Ferreira –, e isso reflete, entre outras coisas, o aumento da expectativa de vida no país. De qualquer forma, Camurati deixou sua marca com Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, produzido em forma de guerrilha num momento em que praticamente não se fazia filmes aqui, mas foi com Copacabana que ela mostrou mais maturidade como cineasta.

Alysson Oliveira


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