Zona verde

Ficha técnica


País


Sinopse

Depois de algumas missões frustradas no Iraque, subtenente norte-americano começa a desconfiar que exista alguma farsa envolvendo serviços secretos. Suas investigações colocam em suspeita as verdadeiras intenções da presença americana no Iraque.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

09/04/2010

Num primeiro momento, Zona Verde parece mais um suspense de guerra que tem como pano de fundo e motivo a presença americana no Iraque. No entanto, à medida em que o filme dirigido por Paul Greengrass (O ultimato Bourne) avança, outros assuntos vêm à tona, evidenciando que este não é mais um filme de guerra banal, que retrata a violência apenas pelo prazer da ação ou vem bater na surrada tecla contra os americanos no Oriente Médio.
 
O grande tema de “Zona Verde” é a manipulação da informação sobre o conflito no Iraque. O filme é uma espécie de derivado do excelente Redacted, de Brian De Palma, chamado de “Guerra sem cortes” quando exibido em festivais no Brasil, e que continua inédito até hoje no circuito comercial brasileiro. A palavra ‘redacted’, aliás, significa a supressão de informação de documentos oficiais antes de sua liberação. Já o filme de Greengrass tem como foco a forma como a informação se transforma em notícia e chega aos civis.
 
O roteiro, assinado por Brian Helgeland (Sobre meninos e lobos), inspira-se no livro jornalístico de Rajiv Chandrasekaran, atual editor do jornal The Washington Post. Em primeiro plano, está um subtenente do exército norte-americano, Roy Miller (Matt Damon, de “Invictus”), que começa a desconfiar que há algo de errado quando, pela terceira vez, sua equipe é mandada a um local onde supostamente haveria armas de destruição de massa de Saddam Hussein, mas não encontra nada.
 
Como os bons diretores do gênero, Greengrass não está interessado apenas na ação em si, mas a vê como a consequência de um momento e a reação de um personagem –especialmente quando este está sob pressão. Nesse sentido, Miller não é muito diferente do Jason Bourne que Damon interpretou em três filmes (dois deles, dirigidos por Greengrass). A reação do subtenente é investigar porque seu grupo tem recebido pistas falsas – embora seus superiores continuem a negar isso.
 
A partir de então, discretamente, Greengrass e Helgeland invocam até alguns recursos de suspense hitchcockiano, quando Miller tem um objetivo a alcançar. Ele se empenha em descobrir porque sempre que recebe uma missão, ela o leva a um lugar onde não há nada, colocando em risco a vida de seu grupo. No caminho, encontra um caderno que contém os esconderijos de alguns dos mais procurados membros do partido de Saddam, ainda fugitivos.
 
Em Bagdá, Miller encontra três pessoas que podem ajudá-lo ou não. O primeiro é o agente da inteligência do Pentágono Clark Poundstone (Greg Kinnear, de Nação Fast Food), o chefe local da CIA Martin Brown (Brendan Gleeson, de Na Mira do Chefe) e uma correspondente do Wall Street Journal, Lawrie Dayne (Amy Ryan, de A troca).
 
Há também um iraquiano que fala inglês, chamado Freddy (Khalid Abdalla, de O caçador de pipas), que além de fornecer informações a Miller se torna seu tradutor. As pistas que ele passa ao subtenente mostram-se verdadeiras e tão importantes que uma unidade especial entra em cena, para tirar das mãos de Miller os prisioneiros que ele capturou numa operação por conta própria e também o famoso caderno – que o subtenente acaba confiando a Freddy.
 
Greengrass, que começou sua carreira cobrindo guerras como cinegrafista para um canal de TV inglês, retorna às suas origens aliando-as à experiência em cinema que acumulou nos últimos anos, com filmes como Voo United 93, A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne. O diretor faz aqui um filme sobre questões políticas usando recursos de um suspense, retomando um patamar que parecia esquecido nos anos de 1970.

Alysson Oliveira


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