Pachamama

Pachamama

Ficha técnica

  • Nome: Pachamama
  • Nome Original: Pachamama
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2008
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 105 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Eryk Rocha
  • Elenco:

País


Sinopse

A chegada ao poder de Evo Morales, primeiro presidente indígena do continente, deflagra um processo de discussão de um novo modelo social, a partir da cultura nativa original. Este documentário investiga o que está acontecendo na Bolívia e também no Peru neste sentido.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

22/02/2010

Em seu terceiro longa, Pachamama, o diretor carioca Eryk Rocha atravessa a tríplice fronteira entre o Brasil, o Peru e a Bolívia – no Acre - para realizar um documentário em que investiga a ebulição que atinge os povos indígenas na América do Sul, especialmente na Bolívia, sob a presidência de Evo Morales.  
 
Filho do lendário Glauber Rocha, cuja memória explorou em seu filme de estreia, Rocha que Voa (2002), Eryk herda também do pai esta preocupação com uma identidade latino-americana que atravessa fronteiras. Mais precisamente, é a retomada da cultura ancestral, dos quéchuas, aymaras e outros povos nativos, o tema que ocupa o centro do filme – viabilizado como um projeto para a TV, que rendeu uma minissérie já exibida no Canal Brasil e a ser mostrada também no Canal Futura.
 
Fazendo ele mesmo a câmera do filme, Eryk toma o pulso dessa grande inquietação vem se espalhando pelas nações de maioria indígena da América do Sul, a partir da chegada ao poder do boliviano Morales – o primeiro presidente indígena do continente, eleito em 2005 e reeleito em 2009. O cineasta anda no meio da rua, entra em discussões espontâneas, em que surgem as mais diversas teses. Um homem defende a unificação da nação aymara original, hoje distribuída entre Peru, Bolívia e Argentina e acha inevitável o derramamento de sangue. Outros discordam. De todo modo, a reavaliação da herança indígena que de algum modo sobreviveu resistiu à colonização de europeia está na ordem do dia.
 
Filmando em meados de 2007, Eryk acompanha parte das grandes manifestações e assembleias para debate de novas formas de organização e divisão comunitárias da terra, bem como nacionalizações de alguns setores, temas candentes da Bolívia sob Morales. Flagra também um momento de crise em Santa Cruz, província que luta historicamente para emancipar-se da Bolívia – e cujo representante, numa entrevista, elogia para o cineasta o que encara como a pouca disposição agressiva dos brasileiros para resolver seus conflitos, preferindo o “jeitinho”.
 
Louro e de olhos claros, Eryk tem que lidar também com a desconfiança que desperta entre as pessoas, que o confundem com um “gringo” (norte-americano) ou jornalista – categoria que também desperta a desconfiança de muitos, devido ao viés crítico que enxergam na maioria das reportagens, especialmente de televisão, ao retratarem a movimentação popular.
 
Não falta também a exposição de uma das teses internacionalmente mais polêmicas de Morales – um ex-cocalero que defende o tradicional consumo das folhas de coca pelos indígenas contra o cansaço e a fome. “Não vejo porque a coca seja ilegal para os índios e legal apenas para a Coca-Cola”, costuma dizer.
 
Umas das sequências mais impressionantes é a visita a Potosí que, no período da colonização espanhola, chegou a ser a maior mina de prata do mundo. Hoje com uma produção apenas residual, a mina é um cenário fantasmagórico, em que os mineiros mantêm bonecos de entidades mágicas para espantar o maior fantasma local – o risco de morte. Segundo autores como o uruguaio Eduardo Galeano (As Veias Abertas da América Latina), oito milhões de mineiros teriam morrido em suas galerias desde o século XVI.
 
Proporcionalmente, o Brasil ocupa pouco espaço no filme, ao contrário do que acontece na série. O único país falante de português do continente comparece especialmente como uma referência invocada no discurso de vários peruanos ou bolivianos, de maneira realista ou equivocada. Num momento, alguém diz que o Brasil tem “70% de analfabetos”, número absurdo. Mas quase sempre o país é lembrado como o vizinho maior e mais rico – com toda a dubiedade que essa imagem incorpora.

Neusa Barbosa


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