Faz de Conta que Eu Não Estou Aqui

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Crítica Cineweb

19/02/2003

Adolescente no limiar da idade adulta, o jovem Eric (Jérémie Rénier) ainda não se desligou das fantasias infantis, como o desejo de ser invisível. Todas as noites, ele se esconde por trás das janelas de seu apartamento, luzes apagadas, espiando por trás de um binóculo indiscreto os mínimos movimentos da vida de seus vizinhos.

Envolto nesse manto de virtual invisibilidade, Eric não investe em nenhuma relação pessoal. Nem dentro de sua própria casa, onde mantém uma convivência tensa com a mãe, Héléne (Aurore Clément) e o padrasto, René (Johan Leysen). Não se dá muito melhor nem mesmo com a irmã mais velha (Natalie Richard), que mora fora. O isolamento e o voyeurismo definem Eric como um descendente cinematográfico do jovem protagonista de Não Amarás (1988), de Krzysztof Kieslowski. Uma referência que não desmerece o diretor estreante aqui, Olivier Jahan - muito pelo contrário -, ainda mais que ele não se limita a uma mera imitação do mestre polonês, morto em 1994.

Eric é um paradigma da dificuldade de comunicação e também do egoísmo adolescente, que, refugiando-se nessa pretensa invisibilidade, não deixa de alimentar uma outra fantasia: a de interferir a seu bel-prazer na vida alheia sem ser visto, portanto, sem responsabilidade pelo que pode provocar. Assim, o tímido dispara bilhetes para os seus vizinhos e, num determinado momento, utiliza uma fotografia, com resultado devastador. Faz de Conta que Eu Não Estou Aqui é, por vezes, errático e irregular como o coração do personagem em sua trajetória de crescimento e descoberta da própria sexualidade. Apesar destas oscilações de tom, é um primeiro passo respeitável na carreira de um novo diretor.

Cineweb-8/2/2002

Neusa Barbosa


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