O Desinformante!

Ficha técnica


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Sinopse

Vice-presidente da ADM, gigante do agronegócio, Mark Whitacre sonha em chegar ao topo. Encarregado de erradicar um vírus, toma conhecimento de um plano de formação de cartel de seus chefes. Ele se torna informante para o FBI. Mas ele não é exatamente o anjo que parece.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

15/10/2009

Escândalos corporativos e crimes de colarinho branco andam em alta por conta da crise mundial. Nessa linha, aparece O Desinformante!, em que Steven Soderbergh (Che, Confissões de uma Garota de Programa) parte de um livro do jornalista Kurt Eichenwald, do jornal The New York Times, para radiografar um personagem ambíguo, Mark Whitacre (Matt Damon).

Na vida real, Whitacre, vice-presidente do gigante do agronegócio Archer Daniels Midland, protagonizou um processo em meados dos anos 90, relativo a sua denúncia contra os chefes, que tramavam um cartel internacional de controle de preços de matérias-primas, e seu próprio envolvimento com o desvio de cerca de US$ 9 milhões. Um caso rumoroso, que terminou em multas milionárias para os donos da ADM e alguns anos de prisão para Whitacre.

O tom do filme é cínico, centrado no personagem do executivo, que logo se percebe ser mitômano, ao mesmo tempo que dono de uma irresistível lábia. Uma qualidade que lhe permitiu não ser desmascarado pelos chefes e ser levado a sério por agentes do FBI, que o convenceram a espionar a própria empresa, usando gravadores escondidos – sem imaginar o quanto seu informante não era totalmente confiável.

A ambiguidade do protagonista, que deveria ser o atrativo principal, torna-se, em mais de um momento, motivo de confusão. Ninguém percebe ao certo o que há realmente na cabeça de Whitacre, mesmo que o público do filme, ao contrário de seus colegas, superiores e agentes do FBI, até ouça o que ele diz para si mesmo.

Um grande problema é que o filme é todo um samba de uma nota só. E a performance de Damon não oferece nuances suficientes para tirar o máximo de um personagem certamente muito rico em contradições. É de se imaginar o que outro ator capaz de mais ironia, Sam Rockwell, por exemplo, poderia ter feito neste papel.

Rodado em apenas 30 dias, em digital, o filme expõe uma certa pressa em dar conta de mais informações do que se dispõe a aclarar. Resultado – um assunto não muito atraente, um ator no piloto automático e a sensação de que os produtores do filme divertiram-se bem mais do que a plateia. Exceção feita, é claro, a quem achar emocionantes os meandros do mundo dos aminoácidos.

Neusa Barbosa


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