Almoço em Agosto

Almoço em Agosto

Ficha técnica


País


Sinopse

Em troca do perdão de dívidas, Giovanni aceita cuidar da mãe e da tia do zelador de seu edifício. Depois, também terá de hospedar a mãe de seu médico. Além das três mulheres, ele também tem a sua mãe. Os cinco ficam num pequeno apartamento, numa Roma deserta, sufocada pelo calor.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/08/2009

Ganhador de três prêmios no Festival de Veneza 2008, entre eles o de melhor filme de diretor estreante, Almoço em Agosto é uma comédia embalada com risos, ternura e melancolia. O longa, coescrito, dirigido e protagonizado pelo roteirista Gianni Di Gregorio (que também assina o roteiro de Gomorra), tem o elenco composto por atrizes não profissionais, todas se saindo muito bem em seus papeis.

A ação se passa no auge do verão romano, quando a cidade fica praticamente deserta, no feriadão chamado de "ferragosto". Di Gregorio interpreta Giovanni, um sessentão que mora com mãe nonagenária, Valeria (Valeria De Franciscis). Os dois vivem apertados, sem dinheiro, devendo não apenas na mercearia, como o condomínio do prédio onde moram. Por outro lado, sua relação vai muito bem, não são apenas amigos, mas verdadeiros cúmplices.

Tentando se livrar das contas, Giovanni acaba sendo chantageado pelo síndico do seu prédio. Em troca do abatimento das dívidas, o protagonista deverá cuidar da mãe do outro, enquanto este sai da cidade. A surpresa é que além de Marina (Marina Cacciotti), também se hospeda a Tia Maria (Maria Cali). Para completar o time, o médico de Valeria pede a Giovanni se pode deixar sua mãe, Grazia (Grazia Cesarini Sforza), "apenas por uma noite".

É assim que Giovanni se vê num apartamento pequeno, preparando o almoço para quatro senhoras, cada uma com as suas manias, teimosias e limitações. As personagens poderiam cair facilmente no caricato, mas isso nunca acontece em Almoço em Agosto. A visão que o filme traz da terceira idade não é nada paternalista, nem desrespeitosa, pelo contrário.

É aí que reside a graça, na forma como o filme trata da idade e do envelhecimento sem se deixar levar por clichês ou condescendência. O timing cômico das atrizes/personagens desenrola-se com naturalidade – especialmente Grazia e sua vontade proibida de comer macarrão.

Di Gregorio filma isso tudo sem invencionices técnicas ou narrativas. Ele é daqueles que acreditam na máxima "menos é mais", o que aqui funciona muito bem. Usando planos longos e uma câmera solta à la Cassavetes, o cineasta consegue fluidez e ritmo.

Verdade que, por trás de sua alegria e comicidade, Almoço em Agosto esconde uma certa melancolia. Enquanto dorme, uma das senhorinhas sussurra: “Vivemos da lembrança”. Esse subtexto aparece nas entrelinhas do filme. Os dias de glória do passado não voltam mais, mas nem por isso as personagens se deixam abater.

Alysson Oliveira


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