Divinos Segredos

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Crítica Cineweb

17/02/2003

Relacionamentos humanos não são nada fáceis. A relação mãe e filha pode ser ainda mais complicada, pois é inevitável não se deparar com o espelho. A roteirista Callie Khouri, ganhadora do Oscar com Thelma & Louise (91), estréia na direção com a comédia dramática Divinos Segredos, onde exercita mais uma vez sua criatividade tanto nos diálogos afiados quanto nas soluções técnicas para contar a história de um conflito tão antigo quanto a humanidade.

Siddalee (Sandra Bullock) deixa a Louisiana para tentar a carreira de dramaturga em Nova York, mas também para fugir do domínio de Vivi (Ellen Burstyn e Ashley Judd, quando jovem), sua excêntrica mãe. A vida transcorre bem até uma malfadada entrevista de Siddalee a uma revista de circulação nacional. Vivi não acredita que o país inteiro possa considerá-la uma péssima mãe. O rompimento entre elas é inevitável. E a vida da teatróloga entra num redemoinho de confusões, inclusive colocando em perigo os planos de casamento de Sidda com o namorado, que espera há sete anos para que ela perca o medo de constituir uma família.

Mas a Fraternidade Ya-Ya, o grupo de hilárias amigas da mãe, coloca-se em ação. Seqüestram Sidda para lhe mostrar o outro lado, desconhecido, daquela mulher dramática que é Vivi. A partir daí, forma-se uma rede de cúmplices, que mais parece o exército da salvação. Através de um álbum de fotos e recortes, Sidda começa a descobrir facetas e acontecimentos da vida da mãe que nem em seus sonhos mais delirantes poderia imaginar.

Mesmo sem a contundência feminista de Thelma & Louise, Callie Khouri consegue, mais uma vez, discutir problemas femininos com profundidade e muito bom humor. Apesar de um olhar, muitas vezes, benevolente, ela não se esquiva em mostrar sentimentos menos heróicos. Aquelas pequenas picuinhas do cotidiano que podem envenenar qualquer relacionamento, mas que se bem discutidas, podem trazer luz à vida das envolvidas.

Mais uma vez, os homens passam ao largo da história. Meros coadjuvantes, funcionam como um termômetro para as aparentes loucuras destas mulheres inteligentes e afiadíssimas. Esta comédia dramática é, decididamente, um palco perfeito para interpretações acima da média do elenco principal. Sandra Bullock veste perfeitamente seu personagem, Ellen Burstyn como sempre transpira credibilidade, assim como Maggie Smith, de longe, a mais ferina e simpática mulher do grupo. Embalada por uma boa trilha sonora, esta comédia está acima da média das recentes produções que nos chegam de Hollywood.

Cineweb-6/9/2002.

Ana Vidotti


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