As Testemunhas

Ficha técnica


País


Sinopse

Um ano na vida de dois irmãos, Manu e Julie, que se mudam do interior francês para Paris e vivem relacionamentos na época do surgimento da aids, nos anos 80.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

19/02/2009

Os corredores de um hospital testemunham a primeira cena do longa-metragem do veterano diretor francês André Téchiné. Nessa espécie de prólogo, caminham apressadamente um médico e um homem de origem árabe que não se conforma de ter sido avisado sobre o nascimento do filho apenas depois do parto realizado. Começam aí relações conflituosas cujo agravamento deve crescer com a presença da criança. No entanto, aqui, não é a vida que obriga os personagens a se confrontarem, mas a morte.

Estamos em Paris, no ano de 1984. Por meio de Manu (Johan Libéreau) somos convidados a entrar na vida de cinco personagens, durante o exato período de um ano. Repleto de vida, o jovem desembarca na capital francesa à procura de trabalho e passa a dividir com a irmã, Julie (Julie Depardieu), um quarto barato de hotel. Num parque parisiense ele conhece o médico Adrian (Michel Blanc), em quem desperta paixão, mas de quem não exige nada além de amizade. É assim que Manu passa a conviver com o casal apresentado logo de início: Mehdi (Sami Bouajila), chefe de polícia local, e Sarah (Emmanuelle Béart), escritora cujo interesse por livros infantis desaparece com o nascimento do filho.

O competente olhar de Téchiné não pune nem despeja piedade sobre os personagens, que se colocam diante do sexo e do outro de maneira bem menos possessiva do que os demais latinos costumam fazer. O que soa moralmente natural na boca de um francês só adquire certa gravidade frente à epidemia de aids que assolou e assombrou o mundo naquela época.

O advento da doença, no contexto do filme, é meramente casual, mas faz com que as pessoas se deem conta da morte. O que hoje pode parecer exagerado, já que as novas drogas mantêm o vírus inativo por décadas, nos idos dos anos 1980 era a certeza não só de que o fim estava próximo como também de que seria doloroso.

Diante desse grande mal, os personagens revelam algo de suas essências e, frente à experiência, são impelidos a encontrar o que lhes servirá de razão para viver até o encontro final com a morte. E em meio a pulsões de amizade e de egoísmo, aprendem que, mesmo sendo a única certeza na vida, é muito difícil se acostumar com a ideia da morte numa realidade tão ilusória quanto fugaz.

Luara Oliveira


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