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Ficha técnica


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Sinopse

Jerry (Jack Black) leva um choque e fica magnetizado. Quando visita a locadora de seu amigo, destrói tudo o que está gravado nas fitas de VHS. Agora, a dupla tenta refazer todos os filmes pelas ruas do Bronx.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

11/12/2008

Este novo filme do francês Michel Gondry (Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças) fala de um tipo de cinema cada vez mais raro. E isso não tem nada a ver com a substituição do VHS pelos DVD, ou da película pelo digital. É um cinema que fala direto ao lado emotivo do público, sem cair na pieguice. O cinema feito com amor, seja pela arte ou pelo simples prazer de entreter – ao contrário daquele produzido apenas para gerar lucros.

No centro do longa, está tudo aquilo que se perde em nome do progresso – representado por uma locadora que resiste ao DVD e insiste em continuar alugando fitas. O dono da loja é o Sr. Fletcher (Danny Glover, de Ensaio Sobre a Cegueira), cujo negócio está ameaçado pela desapropriação de sua antiga sede, entre outros problemas. Para não perdê-lo, precisa levantar fundos e reformar o prédio.

A fim de bisbilhotar os segredos de uma bem-sucedida rede de locadoras, ele finge fazer uma viagem e deixa seu funcionário, Mike (Mos Def), tomando conta do negócio. Porém, sempre por perto está Jerry (Jack Black), um mecânico neurótico sempre contra qualquer forma de autoridade.

Depois de um acidente, o corpo de Jerry fica magnetizado. Assim, quando ele entra na locadora, simplesmente apaga-se o conteúdo de todas as fitas de vídeo. Quando a Sra. Falewicz (Mia Farrow), uma cliente fiel, vai fazer sua locação diária, eles precisam improvisar para que ela não perceba nada. Convencem-na a voltar mais tarde, enquanto eles mesmos refazem o filme que ela escolheu: Os Caça-Fantasmas.

E assim a dupla dá início a uma uma série de remakes caseiros e toscos. As produções vão desde filmes de ação, como A Hora do Rush 2 a dramas sentimentais como Conduzindo Miss Daisy – sempre com Jerry e Mike nos papéis centrais. Um dia, resolvem que precisam de uma mulher de verdade e convidam a balconista de uma lavanderia, Alma (Melonie Diaz).

O que ninguém esperava é que os filmes da dupla, que eles chamam de suecados, virassem uma febre e chamassem a atenção de tanta gente. O sucesso vai exigindo uma produção cada vez maior e isso acaba integrando toda a comunidade, que andava dispersa e desanimada.

O êxito da empreitada acaba atraindo também alguns advogados, que vêm cobrar os direitos autorais dos estúdios e produtores. Não podendo mais suecar filmes famosos, a dupla parte para suas próprias produções. Nesse momento, Gondry, que também assina o roteiro, parece dizer que qualquer um pode fazer arte, basta deixar aflorar o sentimento. Pode soar como uma causa cheia de sentimentalismo barato, mas nesta época em que boa parte do cinema é dominada por cifras, a idéia serve como inspiração e esperança de que ainda pode haver vida inteligente no cinema.

Entre todas as suas homenagens explícitas aos filmes suecados, como Boogie Nights, O Rei Leão e Robocop, há duas mais sutis, no casting, que dizem muito sobre o propósito deste filme. Uma delas é Jack Black, que fez o papel de diretor de cinema no mais recente remake de King Kong (um dos filmes, aliás, refeitos nesta comédia). A outra é Mia Farrow, foi protagonista de A Rosa Púrpura do Cairo, um filme sobre personagens saindo de dentro da tela e ganhando vida, sendo ela uma sonhadora apaixonada por cinema. Sem esquecer Sigourney Weaver, que atuou em Os Caça-Fantasmas, aqui aparece como a advogada que reclama sobre dos direitos autorais infringidos.

Antes de se tornar cineasta, Gondry ficou famoso com videoclipes extremamente criativos para cantores como Bjork e bandas como White Stripes e Radiohead. Sua marca registrada se tornou um apuro visual e um trabalho de câmera e montagem sofisticados. Aqui, ele deixa de lado qualquer exibicionismo técnico e concentra-se naquilo que o filme pede: a emoção. Com seu final tocante, à la Cinema Paradiso, Rebobine, Por Favor lembra a importância do cinema como fenômeno cultural, defendendo que, mesmo na era dos vídeos fugazes do You Tube, um filme de verdade pode durar por anos e ainda tocar pessoas .

Alysson Oliveira


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