A Duquesa

Ficha técnica


País


Sinopse

Georgiana, Duquesa de Devonshire, teve uma vida extravagante no século XVIII, usando sua inteligência para driblar os costumes e a moral de seu tempo. Casada com um duque, ela escandalizou a sociedade com diversos amantes e engajamento político.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

19/11/2008

Sofrimento e infelicidade matrimonial parecem embutidos no DNA da realeza britânica e estão presentes neste drama de época que retrata a vida de Georgiana Spencer, uma das ancestrais de Diana Spencer, a Lady Di, a Princesa do Povo. O filme venceu o Oscar de melhor figurino em 2009.

A história dessas duas mulheres tem muito em comum: ambas pensaram se casar por amor, mas viveram um casamento infeliz de conveniências presas a formalismos da sociedade. Foram mulheres à frente de seu tempo, feministas e conhecidas por seu apego ao povo – mais do que aos maridos infiéis.

Georgiana, vivida por Keira Knightley (Desejo e Reparação), casou-se com o duque de Devonshire (Ralph Fiennes, de O Jardineiro Fiel), com o único objetivo de dar-lhe um herdeiro. Depois de vários abortos e duas tentativas frustradas (teve duas meninas), ela percebe que seu casamento não é um conto de fadas – especialmente quando ele começa a passar as noites no quarto de sua melhor amiga, Bess Foster (Hayley Atwell), a quem ela dá abrigo por ter sido abusada pelo marido.

É uma crônica de infelicidade conjugal que facilmente traça paralelos com a vida infeliz de Lady Di. A diferença é que a amante do duque de Devonshire ganha de Camilla Parker Bowles no quesito beleza.

Georgina envolve-se com política – talvez para provocar o marido ou compensar sua solidão – e faz campanha para o partido Whig, ajudando a eleger um primeiro-ministro e apoiando as revoluções americana e francesa. Tudo isso está no filme, mas nunca há algo de mais profundo da personagem. O letreiro inicial (que vem antes mesmo dos créditos) explica que o enredo é 'baseado numa história real', tentando, antes de mais nada, obter a cumplicidade do público pela heroína sofredora. E como ela sofre.

Dirigido por Saul Dibb, a partir de um roteiro de Jeffrey Hatcher e Anders Thomas Jensen, A Duquesa faz questão de frisar com insistência o quanto Georgina foi importante para as mulheres de seu tempo. Mas quando se aventura pela vida amorosa da personagem, restam apenas lágrimas eternas e risos fugazes – sem muita profundidade emocional ou psicológica.

O duque quer apenas um filho – ele gosta mais de seus cães do que das filhas e da mulher – e a duquesa quer apenas ser feliz, nem que seja nos braços de Charles Grey (Dominic Cooper), um jovem político que se torna seu amante.

A infelicidade de Georgina é acentuada para que fique bem claro o quanto essa pobre mulher sofreu nas mãos do marido – que a violentou ao menos uma vez. Num café da manhã, ela pede ao marido que lhe permita ter um amante. Ele nega, é óbvio. Mas a amante dele, que também está à mesa, tenta argumentar que a duquesa quer o mesmo que eles dois têm – em vão. Mais uma vez, Georgina precisa falar por si mesma – e novamente o filme insiste em mostrar o quanto ela foi importante para as mulheres da sua época, mesmo ao custo de muito sofrimento.

Alysson Oliveira


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