Última Parada 174

Ficha técnica


País


Sinopse

Recriando a tragédia do ônibus 174 no Rio de Janeiro em 2000, conta-se a história de dois meninos vindos da pobreza que caem na criminalidade, enquanto a mãe de um deles procura o filho perdido.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

23/10/2008

Concorrente brasileiro a uma das cinco vagas concorrentes ao Oscar de filme estrangeiro, “Última Parada; 174”, de Bruno Barreto revisita a tragédia de junho de 2000, quando um seqüestrador, Sandro do Nascimento, manteve reféns num ônibus no Rio de Janeiro durante várias horas. Ao final do dia, a última refém, Geisa Gonçalves, de 21 anos, foi morta por Sandro, que acabou também assassinado na viatura, depois de rendido, pelos policiais que o prenderam.

Mesmo com a parceria do experiente roteirista Bráulio Mantovani, que participou da escrita de Cidade de Deus, Tropa de Elite e Linha de Passe - três filmes candentes sobre a realidade brasileira contemporânea –, o que mais incomoda é a falta de organicidade de Última Parada 174.

A sucessão de eventos trágicos que molda a trajetória perdida de dois meninos (os bons atores Michel Gomes e Marcello Melo Jr.) flui de maneira atravancada, forçada, dramaturgicamente inconsistente. A personagem fundamental da mãe de um dos meninos não tem, igualmente, um desenvolvimento dramático à altura da ótima atriz Cris Viana. Assim, o filme perde credibilidade e, o que é pior, conexão emocional com o público - o que seria, justamente, sua própria razão de existir.

Com tanto material explosivo, quanto assassinato de uma mãe, abandono de crianças, seu engajamento no crime e na violência, a chacina de meninos de rua diante da igreja da Candelária (ato real ocorrido em julho de 1993) e outros que sustentam o enredo, Barreto não se mostrou o diretor ideal para trazer à tona elementos que complementariam a história tão bem desenhada no documentário Ônibus 174, de José Padilha – obra que fecha seu foco na tragédia do ônibus seqüestrado por Sandro, que era mesmo um sobrevivente do massacre da Candelária. Uma história real assim forte dificilmente comportaria uma recriação melhor na ficção. Foi o que aconteceu.

Neusa Barbosa


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