Do Outro Lado

Ficha técnica


País


Sinopse

Em Berlim, um velho imigrante turco se casa com uma prostituta de mesma origem, o que dá início a uma série de incidentes, envolvendo o filho dele, a filha dela, que está na Turquia, uma moça alemã e sua mãe.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

03/07/2008

Vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes 2007, este é um filme sobre conexões sutis, aquelas que parecem obra do acaso e acarretam um significado maior na vida das personagens. Este, aliás, também é um filme mais sobre personagens do que sobre o que elas fazem.

Eles são seis: duas mães, duas filhas, um pai e um filho, cujos caminhos se cruzam de forma inesperada. Aliás, muitas vezes, eles nem sabem desses acasos que os unem. Apenas o público tem o privilégio de assistir do lado de fora e juntar os pontos.

Como em sua ficção anterior, Contra a Parede (vencedor do Urso de Ouro em Berlim/2004), o cineasta alemão de ascendência turca Fatih Akin aborda a questão da identidade de imigrantes. Ele mesmo, pertencente à segunda geração de imigrantes, sabe o peso de ter de construir uma identidade que una os dois lados, o país de onde seus pais vieram e o novo lar. Muitos nessa situação experimentam a sensação estranha de não pertencer a nenhuma das duas pátrias. O jovem turco Nejat (Baki Davrak) é um deles.

Nejat, filho de Ali (Tuncel Kurtiz), parece ter conseguido o maior feito que um imigrante de segunda geração poderia almejar: dá aulas de língua e literatura alemã numa universidade, lecionando inclusive Goethe, símbolo maior da nação. Seu velho pai viúvo, também morando na Alemanha, pede a prostituta Yeter (Nursel Köse) em casamento. Ela aceita, mas mais para evitar as ameaças de alguns muçulmanos radicais do que por amor.

Depois de estabelecer esses personagens e um conflito central, Akin dá uma guinada na narrativa, apresentando Ayten (Nurgül Yesilçay), filha de Yeter, que vive na Turquia e é obrigada a fugir para a Alemanha depois de participar de ataques terroristas que levaram todo o seu grupo para a cadeia. No novo país, onde se comunica num inglês rudimentar, conhece Lotte (Patrycia Ziolkowska), jovem de um idealismo romântico para quem levar uma refugiada estrangeira para casa parece algo natural.

A profunda amizade que floresce entre as duas encontra uma barreira na mãe de Lotte, Susanne (Hanna Schygulla), que parece ser ‘alemã demais’, na definição da filha, quando reclama da presença da estrangeira em sua casa.

Akin tem um senso aguçado para trabalhar as conexões entre esse grupo de personagens e como elas se abrem. Tanto o mundo global, quanto o passado histórico dos personagens são forças que governam os encontros e desencontros de suas vidas pessoais. Para as questões políticas, o diretor e roteirista parece reservar uma certa dose de pessimismo.

Do Outro Lado é um filme que vai crescendo em cima de seus paralelismos, de pais procurando filhos, filhos em busca dos pais. Mas são duas imagens praticamente iguais que deixam claras as intenções de Akin: um caixão desembarcando no aeroporto de Istambul e, cenas mais tarde, outro embarcando, sob os mesmos procedimentos, o mesmo ângulo de câmera. Com isso, o diretor parece querer mostrar que a vida e a morte são a prova de que somos todos iguais, independente da nação onde nascemos ou morremos.

Os personagens jovens aqui vivem do seu idealismo. Por isso, cabe aos mais velhos manter os pés no chão. O que não significa estagnar. À Hanna Schygulla – veterana de filmes de Fassbinder, um diretor com o qual Akin mantém constante diálogo – está destinado um papel importante. Susanne pode ser o espírito alemão, mas está aberta às transformações e a aceitar as mudanças com humildade – apesar de toda a dor do aprendizado.

Alysson Oliveira


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