Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

Ficha técnica


País


Sinopse

Na Londres do século XIX, o barbeiro Benjamin Barker (Johnny Depp) vive feliz com sua mulher e filha. Um poderoso juiz (Alan Rickman) decide roubar-lhe a mulher e o manda para a prisão, sob falsa acusação. Barker volta, 15 anos depois, para realizar sua vingança. Agora ele se chama Sweeney Todd.


Extras

- Burton + Depp + Carter = TODD


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/02/2008

O protagonista da história, o barbeiro assassino Benjamin Barker, que assume a identidade de Sweeney Todd, pode ser visto como um descendente direto e mais macabro do sensível Edward Mãos de Tesoura - que o mesmo Johnny Depp interpretou em 1990 no filme homônimo, também dirigido por Tim Burton. Mesmo assim, não faltaram desafios para Depp encarar o novo papel.

Um desses desafios foi cantar – todo o elenco, aliás, usa sua própria voz para interpretar as canções do musical, que aposta num tempero macabro e humor negro nem sempre sutil. Apesar de ter integrado a banda pop The Kids, nos anos 80, na Flórida, Depp na maior parte do tempo apenas tocava guitarra. Até Sweeney Todd..., nunca havia interpretado uma canção inteira. A mesma inexperiência vocal é compartilhada por Helena Bonham Carter que, na pele da exótica Sra. Lovett, esforça-se como pode para formar um par romântico com o obcecado Todd.

Ambientada numa Londres sombria e suja no século XIX, desenrola-se a história de Benjamin Barker (Depp), um barbeiro feliz, casado e pai de uma pequena filha. O poderoso juiz Turpin (Alan Rickman) apaixona-se por sua mulher (Laura Michelle Kelly) e decide tirá-lo do caminho para roubá-la.

Mandado à prisão por falsas acusações, Barker fica longe do país 15 anos. Volta sob a nova identidade de Sweeney Todd e arma um implacável plano de vingança contra o juiz que o arruinou. É acolhido por uma viúva, a sra. Lovett (Helena Bonham Carter), que guardou as navalhas com que ele ganhava sua vida. Afiadas ao máximo, as lâminas serão o instrumento de uma revanche digna de um serial killer.

Todd instala sua barbearia no andar superior da tenebrosa loja de tortas da sra. Lovett – que, segundo ela mesma, são as piores de Londres. A partir de agora, sua receita será também a mais sinistra da cidade. A cadeira do barbeiro, afinal, esconde uma armadilha, que despeja os cadáveres degolados de clientes incautos para o subsolo, onde partes de seu corpo serão aproveitados pela viúva.

Mesmo com este clima sangrento, em se tratando de um filme de Burton, não faltam elementos de alívio cômico, ainda que se trate de humor negro, é claro. Um deles está na figura de Adolfo Pirelli (Sacha Baron Cohen, de Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Casaquistão Viaja À América). O comediante inglês assume um sotaque deliciosamente italianado para interpretar um vigarista, vendedor de um elixir que supostamente cura a calvície.

Cenários, figurinos e maquiagem, esplendidamente elaborados, dão ao filme o esperado visual gótico, quase sempre em tons de preto, cinza e azul-escuro. Com marcadas sombras em torno dos olhos, Depp e Helena parecem saídos de um filme expressionista do cinema mudo. A única seqüência realmente colorida é uma cena em que a sra. Lovett fantasia um futuro romântico com Todd numa praia. Pelo clima da história, dá para imaginar que não foi pensada para esse tipo de final feliz.

Inspirado num musical de Stephen Sondheim, encenado na Broadway pela primeira vez em 1979, o filme concorre a três Oscar no próximo dia 24 – melhor direção de arte (Dante Ferretti), melhor figurino (Colleen Atwood) e melhor ator para Johnny Depp – que já venceu o Globo de Ouro de melhor intérprete de comédia/musical por esta atuação.

É a terceira indicação ao Oscar de Depp, que já concorreu por Piratas do Caribe – A Maldição da Pérola Negra (2003) e Em Busca da Terra do Nunca (2005). O ator de 44 anos chega à sua sexta parceria com Burton. Eles foram mesmo feitos um para o outro para dar o melhor de si neste tipo de história, que em outras mãos poderia desandar. Conduzida com a energia nostálgica de Burton, resulta numa tragédia digna até de alguns momentos de poesia.

Neusa Barbosa


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