Hairspray – Em Busca da Fama

Ficha técnica


País


Sinopse

Em Baltimore, 1962, a febre da moçada é um programa de TV, The Corny Collins Show. Lá, toda semana adolescentes fazem teste para serem contratados como dançarinos. O sonho da baixinha e gordinha Tracy (Nikki Blonsky) é entrar para o elenco. Para isto, ela tem de derrubar as trapaças de Amber (Brittany Snow), filha da diretora do canal de TV (Michelle Pfeiffer). Remake do filme de 1988 de John Waters.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/09/2007

Refilmar a deliciosa comédia musical de 1988 de John Waters, que rendeu também um musical da Broadway em 2002, é o desafio vencido com méritos pelo diretor e coreógrafo Adam Shankman. Mantendo em dia o ritmo cômico, como fez em trabalhos anteriores (A Casa Caiu, O Casamento dos meus Sonhos), ele renova a energia desta história, ambientada na racista Baltimore de 1962.

Baltimore, para quem não sabe, é a cidade onde cresceu Billie Holiday (ela nasceu na Filadélfia, em 1915) e que por décadas recusou-se a erguer uma estátua em homenagem a uma das maiores musas do jazz, uma das maiores cantoras de todos os tempos. Desde 1985, mais de 30 anos após sua morte, a imperdoável falha foi sanada. A estátua em tamanho natural da deusa está lá, na Pennsylvania Avenue, a poucos passos do Royal Theatre onde ela se apresentou.

John Waters, que também nasceu em Baltimore, nunca perdeu uma chance de esculachar os defeitos de sua cidade natal. Assim, usou toda a sua corrosiva energia cômica para ridicularizar o racismo, sem para isso recorrer a pregações ou discursos. Ele usa o humor e a música. Shankman fez justiça ao criador, inclusive escalando-o numa hilariante ponta numa cena de multidão, bem no começo do filme. Participação pequena, mas impossível de não notar – ele é o velhinho de bigode fino que escandaliza mulheres abrindo sua capa no meio da rua...A cara dele.

O grande trunfo do filme foi substituir à altura dois mitos do filme original – a protagonista Tracy Turnblad, antes Ricki Lake, aqui interpretada com alegria contagiante pela novata Nikki Blonsky, e sua mãe gordíssima, no filme de 1988 interpretada pelo travesti Divine e aqui encarnada por ninguém menos do que John Travolta. É de tirar o chapéu a coragem de Travolta. O maduro ator de 53 anos não perde uma chance de se reinventar, como fez uma vez em Pulp Fiction (1994) e novamente em Hairspray - aproveitando para mostrar que, mesmo debaixo de quilos de enchimentos para parecer obeso, ele mantém a elasticidade daqueles dias de Os Embalos de Sábado à Noite (1977).

Para o bem do filme, não é só esta dupla que funciona. Tudo caminha muito bem nesta simpaticíssima recriação de época. O visual do programa de TV The Corny Collins Show, os números musicais, as intrigas, os vilões patéticos. Muito ágil e divertido, o filme conta com atuações inspiradíssimas de Christopher Walken (o “marido” de Travolta, pai de Tracy); Michelle Pfeiffer (como a megera-diretora da emissora de televisão); Queen Latifah (como Motormouth Maybelle, a dona de loja de discos e apresentadora do “Dia do Negro”, segmento do programa de TV que vai deflagrar a parte mais polêmica da história).

A trama, resumida: sem dar a menor bola para a discriminação contra baixinhas e gordinhas, Tracy sonha em entrar para o elenco do The Corny Collins Show, onde reina a lourinha Amber (Brittany Snow), filha da diretora da TV (Michelle Pfeiffer). A sorte de Tracy melhora no dia em que ela fica suspensa na escola – por “penteado muito alto” – e é mandada para uma sala, de castigo, ao lado de vários alunos negros. Com eles, ela vai aperfeiçoar o seu gingado e provar, para os eternos atrasados, que a integração é o caminho.

Neusa Barbosa


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