Correndo Com Tesouras

Ficha técnica


País


Sinopse

Na sua adolescência, a mãe de Augusten entregou sua guarda a um psiquiatra, pois achava que ela mesma tinha muitos problemas emocionais para criar o filho. Nesse novo lar, nada ortodoxo, o rapaz vai conhecer pessoas com dificuldades mais sérias que a sua mãe, inclusive o próprio médico. Lançado diretamente em DVD no Brasil.


Extras

- Comentários do diretor

- Especiais: Intrusos; Memórias de Augusten Burroughs; Criando o Hospício

- Trailers (sem legendas)


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

31/07/2007

A adolescência de Augusten Burroughs parece ter se passado num universo paralelo. Filho de um alcoólatra e de uma mulher com sérios problemas emocionais foi deixado pela mãe na casa de um psiquiatra, onde o ambiente não era nada amigável também. O médico parecia não ser muito sadio mentalmente, nem sua mulher, a filha mais velha é uma solteirona infeliz, e a mais nova sem nenhum juízo. Augusten se envolve amorosa e sexualmente com um outro paciente, um esquizofrênico vinte anos mais velho do que ele. Porém, o mais incrível de toda essa história é que o rapaz sobreviveu a isso, e escreveu um livro de memórias chamado Correndo com Tesouras.

É exatamente o tipo de material que Hollywood adora adaptar para o cinema. Porém, foram necessários alguns anos e a tentativa de vários diretores para que Correndo com Tesouras chegasse às telas no ano passado. Roteirizado e dirigido por Ryan Murphy (criador da telesérie Nip/Tuck), o filme mantém a mesma mistura insólita de humor, melancolia e desolação presente nas memórias de Burroughs. No entanto, o diretor optar por evidenciar o lado mais estranho dos personagens, em detrimento ao que há de mais humano neles, tão bem explorado no livro. Assim, a versão cinematográfica muitas vezes é um freak show de problemas emocionais, em oposição a ser povoado por seres humanos com feriadas emocionais.

Essa diferença de percepção provavelmente se dá pelo fato de que Burroughs realmente conviveu com essas pessoas, e por isso consegue vê-las como seres humanos. Já o diretor Murphy pensa nelas apenas como personagens, e, por isso, não se dá ao trabalho de ver o que há de humano por trás de tanta esquisitice.

A presença de Annete Benning, como a mãe, e Gwyneth Paltrow, como a filha mais velha do médico (Brian Cox), indica que Murphy ambiciona um terreno entre Beleza Americana e Os Excêntricos Tenenbaums. Dessa forma, o diretor parece não se encontrar – e o filme também se perde muitas vezes, esquecendo que todos aqueles seres ‘estranhos’ são, acima de tudo humanos.

Ainda assim, Annete Bening tem uma performance sensível como uma mulher mergulhada nas suas fantasias que sonha em ser uma poetisa famosa, mas nunca consegue se encontrar. Os bons momentos do filme, aqueles em que toca a fundo a condição humana, certamente pertencem a ela.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança