Inferno [2007]

Ficha técnica


País


Sinopse

Três irmãs, Sophie, Anne e Céline, vivem separadas há anos. Um dia, um estranho começa a procurar cada uma delas, insistindo numa retomada de contato com toda a família. Ele é a chave de um segredo que destruiu a vida dos pais delas.


Extras

- Slide Show (com áudio)

- Novidades

- Trailer


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/04/2007

A seqüência inicial é inesquecível. Um pequeníssimo pássaro recém-nascido debate-se numa calçada, recém-caído do ninho. Um passante recolhe-o e devolve-o ao ninho, aliviando a angústia da platéia. Apenas para ver o passarinho com poucos minutos de vida empurrar para a morte certa os ovos remanescentes, tornando-se único.

Mais eloqüente, impossível, da trama que virá a seguir e que saiu da lavra do celebrado diretor polonês Krzysztof Kieslowski. faz parte da última trilogia elaborada por Kieslowski e deixada incompleta quando ele morreu, de ataque do coração, em 1996.

Paraíso (2002), do alemão Tom Tykwer, foi a primeira parte. Esta é a segunda, e foi finalizada graças à inestimável colaboração do roteirista Krzystof Piesiewicz, parceiro habitual de Kieslowski em quase tudo o que fez, incluindo o Decálogo (1989-90) e a chamada Trilogia das Cores (1993-94).

O diretor bósnio Danis Tanovic (Oscar de melhor filme estrangeiro pelo filme de estréia, Terra de Ninguém) tem a mão certa para conduzir a tensa história de uma família dividida por traumas e rancores a partir de um incidente infernal – e que muda para sempre vários destinos, sem possibilidade de redenção.

Um incidente traumático na infância, envolvendo seus pais, separou três irmãs. O pai (Miki Manojlovic) acabou na cadeia, a mãe (Carole Bouquet), muda e confinada a uma cadeira de rodas. As irmãs são Sophie (Emmanuele Béart), Anne (Marie Gillain) e Céline (Karin Viard) e são reencontradas e postas novamente em contato pela insistência de um estranho (Guillaume Canet).

As razões deste estranho serão esclarecidas no seu devido tempo. Não é esta a preocupação da história. O foco está nas relações humanas, na capacidade das pessoas de manipular informações e emoções que têm efeitos devastadores na vida dos outros. O inferno são os outros, já dizia o filósofo Jean-Paul Sartre. Mas há uma ponta dele dentro do coração de cada um. E mais não se diga. É preciso acompanhar as revelações do filme passo a passo, na medida em que as libera o instinto feroz de Tanovic, que tem uma inegável afinidade com este tipo de material. Não é um filme simples, nem leve, o que é totalmente coerente com seu tema. O inferno, afinal, é este vazio desesperador que resta após a consciência de vidas e afetos desperdiçados.

Neusa Barbosa


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