Caixa Dois

Ficha técnica

  • Nome: Caixa Dois
  • Nome Original: Caixa Dois
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2007
  • Gênero: Comédia
  • Duração: 90 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Bruno Barreto
  • Elenco:

País


Sinopse

Luiz Fernando (Fulvio Stefanini) é um banqueiro que se envolve numa falcatrua de lavagem de dinheiro. Mas seu doleiro morre de repente e ele precisa achar um novo laranja. Acaba conseguindo convencer sua secretária (Giovanna Antonelli) a participar, mas o dinheiro é depositado na conta errada e vai parar nas mãos de Lina (Zezé Polessa), mulher de um funcionário (Daniel Dantas) seu que acaba de ser mandado embora.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

05/04/2007

O resultado de um filme nem sempre depende da ambição de seu diretor. Vários são os longas que pretendem fazer um comentário – geralmente bem-humorado ou ácido – sobre a realidade brasileira contemporânea. Poucos são os realmente bem-sucedidos. Há cerca de cinco anos, Beto Brant lançou O Invasor, que de início parecia um policial. Mas à medida em que o filme se desenrola, mostra-se muito mais um raio-X da moral vigente no Brasil e da luta de classes. Enfim, é um filme que captura o zeitgeist, ou seja, o espírito de uma época.

Alguns anos depois, foi a vez do estreante Cláudio Torres fazer o mesmo com o seu Redentor, esse uma comédia de humor negro que mostrava astutamente que todo mundo é corruptível.

Bruno Barreto deve ter visto algum desses dois filmes – em especial o segundo – quando pensou em fazer a sua adaptação da peça Caixa Dois. Se não viu, deveria ter visto. A intenção aqui é bem clara: falar de um problema brasileiro, fazer-nos rir de nossas mazelas e, assim, criticar a situação do Brasil atual. Preocupações demais para uma comédia popularesca voltada exclusivamente para a classe média.

Baseado na peça homônima de Juca de Oliveira, Caixa Dois tem como centro a corrupção que pode estar embutida em diversos níveis da sociedade - desde o banqueiro rico até a professorinha que ganha mal. Enfim, todos têm seu preço. Aqui, o valor é 50 milhões de reais que vão passando de mão em mão.

Luiz Fernando (Fulvio Stefanini) é um banqueiro que se envolve numa transação e ganha o dinheiro. Porém, por uma série de eventualidades, acaba precisando de um laranja. Sobra para sua secretária Ângela (Giovanna Antonelli), que só aceita a função se ganhar uma parte do dinheiro.

O assistente do empresário faz o depósito na conta errada, e os milhões vão parar nas mãos de Lina (Zezé Polessa), professora primária de escola da periferia, mal paga e supostamente incorruptível. Ela é casada com Roberto (Daniel Dantas), bancário de uma das agências de Luiz Fernando que acaba de ser demitido. Para complicar, Ângela namora o filho do casal.

É uma rede de intrigas não muito complexa, nem muito bem resolvida, mas que funciona mais no teatro do que no cinema. Transitando por poucos ambientes e com poucos personagens, Caixa Dois não consegue fugir da mesmice de teatro filmado. A bem da verdade, há um ou outro diálogo espirituoso e bem sacado, mas eles vêm do texto original. Aqui, a direção de Barreto é impessoal e sem uma identidade, resultando num filme genérico e pouco cinematográfico, que mais parece sitcom.

Caixa Dois se passa em São Paulo – terra de contrastes, como fazem questão de frisar as imagens da abertura. Mas isso não traz nenhum diferencial, pelo contrário, só serve para evidenciar o apanhado de clichês sobre os quais o longa é construído. Temos o banqueiro rico e corrupto, a professorinha pobre porém honesta, o assistente puxa-saco, a secretária que tem emprego porque é bonitona, e por aí vai. Nada que transmita humanidade.

Ao querer criticar o Brasil atual, Caixa Dois troca os pés pelas mãos. Faz a classe média tentar ri de si mesma, e, ao mesmo tempo, legitima a corrupção. Afinal, ladrão que rouba ladrão...

Alysson Oliveira


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