Cine Majestic

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Extras

Cenas adicionais, o filme dentro do Filme: Sand Pirates of the Sahara - seqüência completa, trailer de cinema, escolha de cenas


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

10/02/2003

É sempre oportuno retomar o tema da caça às bruxas macartista e sua estúpida perseguição a artistas de esquerda (fosse este engajamento real ou imaginário) na Hollywood dos anos 50. Ainda mais neste momento em que o governo americano, no afã de encontrar culpados pelo inominável ataque ao World Trade Center, em setembro de 2001, esteja causando alguns estragos nas liberdades civis que são a base da democracia dos EUA.

Entretanto, a visão adocicada deste filme acaba por comprometer todo o espírito crítico que o roteiro poderia levantar - e põe por terra as melhores intenções do diretor Frank Darabont, aqui inteiramente culpado pelo mau resultado do que produziu.

Afastando-se do caminho seguro das histórias do celebrado escritor Stephen King, que lhe forneceu as bases de seus dois bons primeiros filmes - Um Sonho de Liberdade (94) e À Espera de um Milagre (99) - Darabont parte de um roteiro do novato Michael Sloane, seu colega de escola. O protagonista é um roteirista em ascensão na Hollywood de 1951, Peter Appleton (Jim Carrey), que vê sua carreira ruir quando alguém descobre que um certo dia em seu passado de estudante ele freqüentou uma reunião esquerdista - e isto nem foi porque era militante político, mas porque estava de olho numa garota que ia ao mesmo lugar.

Mesmo completamente idiota, a "acusação", que nem é formalizada a princípio, serve de base para que o estúdio o demita. Appleton perde a namorada, os amigos e cai na estrada, sem rumo em seu belo carro, a única coisa que lhe resta. Um acidente projeta-o por cima de uma ponte, dentro de um rio e diretamente na cidadezinha de Lawson. Um lugar tão idealizado e irreal que, à primeira vista, tem-se a impressão de que está para começar mais um episódio de Além da Imaginação .

O roteirista, porém, não morreu nem foi parar numa dobra de tempo ou num outro planeta. Está apenas desmemoriado. Uma situação muito conveniente já que, por uma semelhança física incrível e uma enorme vontade de acreditar por parte de quem o vê, é confundido com uma outra pessoa, Luke Trimble. Luke é um dos mais de sessenta rapazes que partiram de Lawson para lutar na II Guerra Mundial e não voltaram para casa. Agora, seu pai, Harry (Martin Landau), jura que Peter é Luke. E o resto da cidadezinha compartilha da mesma crença.

Sem memória, o estranho também entra no jogo. Mesmo sentindo-se esquisito, participa das atividades locais, a principal delas ajudar seu "pai" a reabrir o único cinema da cidade, o Majestic. Nessa tentativa de misturar uma tênue crítica política ao resgate da eterna magia do cinema é que está o maior furo da história, em que não há uma situação ou personagem que fuja do mais forçado clichê.

Como o momento atual é, como já se disse, apropriado para resgatar uma reflexão sobre tempos sombrios, de listas negras e pensamento único - inclusive no Brasil -, é bem melhor revisitar bons filmes que falem destes assuntos. Caso de Testa-de-Ferro por Acaso (76), Culpado por Suspeita (91) e até do recentíssimo O Poder Vai Dançar (2001), em que o diretor Tim Robbins recuperou a memória de uma comissão dos anos 30 que antecedeu o temível Comitê de Atividades Antiamericanas do senador Joseph McCarthy.

Cineweb-5/3/2002

Neusa Barbosa


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