A Profecia

Ficha técnica


País


Sinopse

Remake do clássico de 76 mostra um embaixador norte-americano na Europa que adota um bebê depois que seu filho morre durante o parto. Anos depois, ele é procurado por um padre que vê na criança o anticristo. O político decide, então, investigar as origens de seu filho adotivo. O resultado pode ser comprometedor para toda a humanidade.


Extras

- Trailers

- Comentário em áudio

- Featurettes

- Cenas Estendidas

- Final Alternativo


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/06/2006

Existe uma jogada de marketing brilhante em lançar o remake do clássico sobrenatural A Profecia. Afinal, 06/06/06 é exatamente o número da besta. Duro é que, se há algo positivo no filme, acaba aí. Nada se salva neste longa de roteiro boboca, em que bons atores fazem papéis ruins.

A geração atual de jovens que vão ao cinema está anestesiada. Vivemos uma época de tantas informações, tanto sangue nas páginas dos jornais que, para um filme de horror causar alguma emoção, parece ser preciso apelar para sangue, muito sangue – e de forma criativa. Neste remake, o diretor John Moore (também de outro remake, de O Vôo da Fênix) está mais interessado em dar um susto a cada cinco minutos do que em criar uma atmosfera genuinamente sombria. No curto prazo, isso funciona. Mas ao longo do filme, o estratagema vai perdendo o efeito, deixando transparecer a banalidade da obra.

Pegando pesado na simbologia (tons de vermelho em todas as cenas, cruzes invertidas), Moore faz com seu público pular da poltrona antes mesmo que consiga se sentar novamente, com cabeças decepadas, cães ferozes e criancinhas diabólicas. Na verdade, o que seria mais eficiente é fazer a platéia afundar na cadeira a cada cena – de preferência, estarrecida. É exatamente isso que acontece no primeiro filme, de 1976.

Dirigido por Richard Donner, A Profecia criou novos parâmetros para o gênero e aterrorizou milhões ao longo de trinta anos. Então, por que refazer o filme? Basicamente para aproveitar a data. Afinal, o remake não traz nada de novo, seja na história ou na concepção visual – aliás, nesse quesito, o primeiro filme é bem superior.

O roteiro, assinado por David Seltzer, que também escreveu o primeiro e o terceiro da série, é praticamente igual ao filme original, apenas atualizando a situação. Para isso, os sinais do nascimento da criança são fatos reais, como a queda das Torres Gêmeas e a explosão de uma nave espacial. Um embaixador norte-americano em Roma, Robert Thorn (Liev Schreiber) é coagido por um padre a trocar seu recém-nascido que morreu por um órfão, sem que sua mulher (Julia Stiles) saiba disso.

Anos mais tarde, em Londres, coisas estranhas começam a acontecer ao redor do menino. A babá se mata durante uma festa de aniversário, animais ficam assustados com sua presença, entre outras coisas. Um padre (Pete Postlethwaite) procura Thorn para dizer que o garoto é o anticristo. E com a ajuda de um fotógrafo (David Thewlis) o embaixador investiga as origens de seu filho, cujo destino pode comprometer a humanidade.

O tema ainda é intrigante, mas abordado de forma extremamente burocrática. O menino, Damien (Seamus Davey-Fitzpatrick) não tem o mesmo impacto que o garoto do filme original. O teaser veiculado nos cinemas há uns meses, que o mostra com um olhar macabro ao lado de um cachorro, tem mais personalidade que o filme inteiro.

Mia Farrow, que já teve sua própria cria demoníaca em O Bebê de Rosemary, foi rebaixada de mãe para babá da criança. Sua presença não faz muita diferença na tela. Embora alguns fãs de Woody Allen possam se sentir vingados em algumas cenas quando ela apanha.

A prova de que este remake de A Profecia não é para ser levado a sério – embora o diretor talvez não tenha percebido – é uma cena, perto do final, que parece ter sido tirada, sem nenhuma alteração, de Todo Mundo em Pânico. O que na comédia era, por natureza, engraçado, aqui é involuntariamente risível.

Alysson Oliveira


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