A Dama de Honra

Ficha técnica


País


Sinopse

Philippe Tardieu (Benoît Magimel) é o típico bom moço: trabalhador exemplar, bom filho, irmão cuidadoso de suas duas irmãs. Até o dia em que conhece Senta (Laura Smet), bela prima do noivo de sua irmã. Os dois se apaixonam loucamente, mas Senta lhe pede uma prova de amor: que ele mate alguém.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

16/01/2006

Claude Chabrol, o veterano cineasta francês do time da Nouvelle Vague, formou boa parte de sua cinematografia em histórias de cunho policial em torno de mulheres fortemente perturbadas – e nem por isso menos fascinantes. Foi o caso de Um Assunto de Mulheres (88), em que Isabelle Huppert vive uma aborteira; Mulheres Diabólicas (95), em que Sandrine Bonnaire e Isabelle Huppert são empregadas que assassinam a patroa; Teia de Chocolate (2000), em que a mesma Huppert interpreta uma envenenadora requintada.

A atmosfera criminosa tempera igualmente esta A Dama de Honra, numa trama inspirada na escritora policial inglesa Ruth Rendell. Uma novidade é que Chabrol encontrou uma nova musa: a bela novata Laura Smet, filha de Nathalie Baye, estrela do cinema francês de filmes como Uma Relação Pornográfica (99), e do astro de rock francês Johnny Halliday.

A ambigüidade da moça começa pelo nome: ela se chama Stéphanie, mas usa o nome de Senta, a heroína da ópera do “Holandês Voador”, de Richard Wagner, que gira em torno de um navio-fantasma, como se recorda. Ela mudou o nome porque o decidiu assim, sem nenhuma razão muito clara. A partir daí, ela envolverá irresistivelmente o personagem de Philippe Tardieu (Benoît Magimel, de A Professora de Piano).

Num contraste que tanto agrada ao diretor Chabrol, Philippe habita um mundo burguês limpo e organizado. É filho de uma cabeleireira separada (Aurore Clément), tem duas irmãs (Solène Bouton e Anna Mihalcea), é honesto, trabalhador numa firma de construção e não tem namorada nem sonhos. É um pequeno burguês reprimido em sua rotina, que só é sacudida quando a mãe dá de presente um pequeno busto feminino que possuíam em seu jardim, pois Philippe tem por ela uma visível atração fetichista. Por isso, Philippe não descansará enquanto não roubar a estátua de volta.

A outra figura perturbadora na vida de Philippe é Senta, que é prima do marido de sua irmã. No casamento desta, os dois se conhecem e a paixão é imediata e devastadora. Senta tem idéias fixas: diz que Philippe é o homem de sua vida, que estão destinados um ao outro e sua ligação não tem volta. Pior é quando alimenta uma outra fixação: de que, para provarem um ao outro seu amor, devem matar alguém.

Tem clima de Patricia Highsmith esta tentativa de pacto do casal, que Philippe tenta desmontar, acreditando que se trata apenas de uma brincadeira de sua amada. Quando o primeiro cadáver aparece, ele descobre, tarde demais, o que se esconde no fundo da psique de Senta, tão bela e tão louca.

Neusa Barbosa


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