Palavras de amor

Ficha técnica


País


Sinopse

Eliza (Flora Cross) pensa ter conseguido conquistar a atenção de seu pai definitivamente quando começa a ganhar competições na escola. Ela não sabe que este é apenas o primeiro passo de uma crise familiar que está para acontecer há muito tempo. Enquanto o patriarca Saul (Richard Gere) se envolve com a menina, a mãe (Juliette Binoche) e o filho (Max Minghella) enfrentam uma série crise existencial.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/12/2005

Não é de hoje que a família norte-americana anda em crise existencial e espiritual. Lares partidos, casais separados, filhos problemáticos são temas bem explorados na cinematografia do país. Mas dois longas recentes exploram o tema da célula familiar em crise com profundidade e inteligência. Não é à toa que A Lula e a Baleia e Palavras de Amor conseguem ser tão honestos ao lidarem com lares vindo abaixo enquanto as pessoas tentam fingir que está tudo bem. Os dois longas são produções pequenas e independentes, e, como geralmente acontece, é onde o cinema norte-americano encontra um novo fôlego.

Palavras de Amor tem seu roteiro baseado no romance Temporada de Caça às Letras, de Myla Goldberg, com roteiro de Naomi Foner e direção da dupla Scott McGehee e David Siegel (Até o Fim). Como no filme anterior dos diretores, a figura materna tem um papel central. Mas se no primeiro ela fazia de tudo para manter a família unida, aqui a mãe é a gota d’água que faltava para mostrar que havia algo de errado nessa casa. Essa mãe atormentada é interpretada com delicadeza e nuances pela sempre confiável Juliette Binoche.

A crônica da dissolução familiar é contada pela caçula Eliza (a estreante Flora Cross, uma espécie de Binoche em miniatura). Filha de uma cientista e um professor universitário, a menina sempre viveu à sombra do irmão, mais velho e mais talentoso nos estudos. Até o dia em que ela se destaca num concurso de soletrar palavras na escola. Logo a garota se torna uma celebridade local em seu colégio e ganha todas as atenções e mimos do pai.

Enquanto isso, o irmão Aaron (Max Minghella) vai se distanciando da família e começa a negar a suas origens judaicas, buscando novas religiões. Saul, o patriarca, acredita que sua filha encontrou o caminho de iluminação quando ela começa a ganhar todos os concursos de soletrar palavras na escola.

A maior qualidade de Palavras de Amor encontra-se na sua honestidade emocional. Os diretores buscam o ângulo mais sincero para abordar cada personagem e seus dilemas – embora, soe forçado em alguns momentos. Mesmo assim,McGehee e Siegel raramente desrespeitam a inteligência de seu público, abrindo a história de seus personagens de forma sutil e sincera. Se às vezes o filme parece esquemático demais, isso se deve à tentativa de não se distanciar muito de sua fonte. De qualquer forma, a história ganha ao optar por um registro emocional sem ser piegas ou feito para fazer o público chorar e prova que ainda há vida inteligente no cinema norte-americano, nem que seja apenas no indie.

Alysson Oliveira


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