Vôo Noturno

Ficha técnica


País


Sinopse

Lisa é uma gerente de hotel em Miami que está no Texas. Ela pega o último vôo para a sua casa onde seu pai a espera. Porém, enquanto aguarda o embarque faz amizade com um charmoso desconhecido. Mais tarde eles estão lado a lado no vôo. Mas tão logo o avião estã no ar, ele revela a sua verdadeira faceta: é um assissano e promete matar o pai dela se ela não fizer o que ele quer.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

06/09/2005

Eis um filme para não ser passado em nenhum vôo – seja noturno, diurno, doméstico ou internacional -, a não ser que a tripulação seja composta por sádicos e todos os passageiros masoquistas. Praticamente metade de Vôo Noturno passa dentro de um avião num vôo do Texas a Miami – é uma viagem perigosa, e não por causa da turbulência. Escrito pelo estreante Carl Ellsworth com a direção precisa de Wes Craven (ao menos até o último ato), esse é um filme que Hitchcock poderia ter feito no século XXI.

Se o longa funciona muito bem, boa parte disso deve-se ao casting acertado que coloca nos papéis principais a bela canadense Rachel McAdams (Penetras Bons de Bico)e o irlandês Cillian Murphy (Moça com Brinco de Pérola). Ela é Lisa Reisert, uma espécie de faz-tudo de um luxuoso hotel de Miami. Não gosta de seu quarto? Reclame com ela, que a moça arruma uma acomodação melhor, e lhe dá dois dias por conta do hotel. Pretende matar o Secretário de Segurança? Lisa é a pessoa para dar um jeito para você, nem que seja preciso seqüestrar o pai (Brian Cox) dela antes.

Lisa e Jackson Rippner (Murphy) se conhecem no aeroporto do Texas enquanto aguardam o vôo e acabam conversando por alguns minutos, surge até uma atração entre eles, mas é hora de embarcar e se despedem. Surpresa! Surpresa! A poltrona de Jack é ao lado da de Lisa. O que poderia ser uma agradável viagem, ou até mesmo o início de uma grande amizade – ou algo mais – muda drasticamente na hora que o avião tira as rodas do chão. Jack avisa à moça que nesse exato momento há um assassino em frente à casa de seu pai, e o homem será morto se ela não ligar imediatamente para o hotel onde trabalha e relocar o Secretário de Segurança para um quarto, onde será mais fácil mata-lo.

O que fazer? Lisa é tão escrupulosa que tenta salvar a vida de seu pai e do político. Claro que isso não vai dar muito certo, e arma-se um tenso jogo de gato e rato confinado às poltronas do avião com direito a uma ida ao banheiro num momento sem turbulência. Esse segundo ato, dentro da aeronave e mais longo, é o que vale o filme. A primeira parte no aeroporto, quase meia hora de diálogos e apresentação de personagens, pode frustrar os fãs de Craven que esperam um filme cheio de perseguição e correria. Mas essa legião de seguidores do diretor serão recompensados no último terço do filme, quando no chão a trama caminha para o desfecho típico do cinema hollywoodiano, com direito a uma perseguição bem orquestrada pelo cineasta.

Sem se preocupar em armar sustos e explosões (algo Michael Bay deveria ter aprendido antes de se aventurar a fazer A Ilha), o diretor se preocupa em estabelecer detalhes, construir personagens e explorar pequenas situações que contribuem para o desenvolvimento da narrativa e aumentam a tensão. São pequenos momentos que separados não contam muito, mas ao longo do filme vão se adicionando, e fazendo com que a platéia roa as unhas de nervoso.

Craven tem um histórico de criar momentos extremamente tensos de situações aparentemente seguras. Quantas pessoas não perderam noites de sono com medo de Fred Krueger? Ou quantos não ficaram com medo de atender ao telefone depois de Pânico? Agora ele cria um novo medo (não tão novo assim para alguns): o perigo de andar de avião. Esqueça turbulência, despressurização, problemas com turbinas, o maior perigo pode estar sentado na poltrona ao lado – e pode nem se tratar de um terrorista.

Alysson Oliveira


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