A Fantástica Fábrica de Chocolate

Ficha técnica


País


Sinopse

Charlie é um garoto pobre que mora com os pais e os quatro avós. Willy Wonka é um milionário recluso dono de uma fábrica de chocolate que abre um concurso para que cinco crianças visitem a indústria. Para ganhar, é preciso que as crianças encontrem um bilhete dourado dentro de uma embalagem de chocolate. Esse se torna o maior sonho de Charlie. Mas entrar na fábrica será só o começo da diversão.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

20/07/2005

A primeira dúvida que pode ser motivo de rugas na testa de pais preocupados é: Tim Burton, o cineasta que fez filmes como Edward Mãos de Tesoura e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, ou seja, que tem uma predileção pelo macabro, é capaz de fazer um filme para crianças? A resposta é sim e não. Com A Fantástica Fábrica de Chocolate ele consegue fazer um filme com apelo infantil – bem acima da média dos supostos filmes infantis dos últimos tempos –, mas ao mesmo tempo, ele não abandonou o seu gosto pelo mundo estranho.

Isso se traduz na tela em imagens que poderão assustar algumas crianças pequenas, divertir as maiores e deixar muito adulto boquiaberto. Mas crédito seja dado também ao autor Roald Dahl (1916-1990), que, por natureza, já flertava com o mundo bizarro. Essa segunda versão da famosa criação do escritor é bem mais fiel do que aquela feita em 1971, com Gene Wilder no papel de Willy Wonka, o proprietário da indústria de doces.

Embora os cineastas do século XXI sejam muito mais preocupados com o politicamente correto do que os seus colegas da década de 70, Burton deixa de lado a obrigação de fazer tudo certinho e não tem medo de se arriscar. O mesmo acontece com Johnny Depp no papel de Wonka. Depp é, sem dúvida, um dos atores mais ousados de sua geração – ou melhor, de muitas gerações. Ele não teme fazer um pirata amalucado e sem pudor, ou mesmo humanizar de forma verossímil um dos maiores traficantes dos EUA. Por isso, era de se esperar que sua performance seja ousada neste filme. E ele não decepciona. Seu Wonka é um ser estranho, mas que ao mesmo tempo parece ter uma existência própria, independente do filme.

Uma espécie de Charles Kane ou Howard Hughes do mundo dos chocolates, Wonka é um empresário rico e recluso, que mora dentro de uma fábrica de doces e não tem nenhum contato com o mundo exterior há anos. Ninguém entra nem sai da firma, por isso não se sabe como as deliciosas guloseimas são produzidas, criando assim um verdadeiro mito maior do que o homem.

Esse quadro está para mudar. Wonka colocou bilhetes dourados dentro de cinco barras de chocolate, que serão distribuídas em todo o mundo. As crianças que as encontrarem ganharão um passeio de um dia e uma grande surpresa está reservada para aquele que ficar até o fim da visita. A histeria corre solta. Em todas as partes do mundo crianças compram barras e barras de chocolate para encontrar o tal bilhete. O mesmo não acontece com o pequeno Charlie (o ótimo Fred Highmore, de Em Busca da Terra do Nunca). Filho de uma família pobre, o garoto ganha apenas uma barra de chocolate por ano, no seu aniversário, e é pouco provável que esteja premiada.

Mas Charlie, ao lado dos outros quatro felizardos, vai conseguir passar um dia na fábrica de Wonka. Ainda com seu gosto pelo politicamente incorreto, Burton não se esquiva de brincar com os estereótipos envolvendo as cinco crianças – adaptando para os tempos atuais as idéias de Dahl. Há o alemão gordinho e comilão, a inglesa mimada e esnobe. Dos Estados Unidos, vêm o menino aficcionado por TV e videogame e a menina ultra-competitiva. E tem também Charlie, o único a morar na mesma cidade (não identificada) onde a fábrica está instalada. De todos, Charlie é o único com feições humanas, na verdade. A imagem das demais crianças passou por um processo digital removendo os traços das faces, deixando-as com aspecto de bonecos.

A fantástica fábrica, por sua vez, é um sonho e um pesadelo ao mesmo tempo. Uma mistura do mundo de Metrópolis com o País das Maravilhas de Alice. Por fora é cinzenta, fria e melancólica. O interior é o contrário, colorido, cheio de aromas e texturas, mas nem por isso totalmente seguro. A casa de Charlie não fica atrás. Totalmente disforme, sua planta deve ter sido concebida por um cenógrafo de filme expressionista alemão.

Os Oompa-loompas, as minúsculas criaturas adoradas por todos desde a primeira versão do filme, também estão de volta. Mas desta vez há apenas um ator interpretando os funcionários da empresa. Deep Roy, que já trabalhou com Burton em Peixe Grande e Planeta dos Macacos, teve sua imagem digitalmente copiada para fazer a centena de Oompa-loompas do filme. E, claro, eles também cantam e dançam. Bem menos do que no filme antigo, e, por isso mesmo, divertem muito mais. Até porque, cada um dos números musicais das criaturas são baseados em famosos musicais do cinema, como Hair e Horror Picture Show.

Embora se mantendo tão fiel ao universo de Dahl, Burton e seu roteirista John August (o mesmo de Peixe Grande) cometem um pecado que pode ser bem grande dependendo do ângulo pelo qual se olha: eles explicam a origem de Wonka. Diversos flashbacks contam a infância e os motivos que levaram o garoto a ser um obcecado por doces e o porquê da reclusão. Explicações que, embora não comprometam o resultado final, tiram parte da magia do personagem. Essa opção, aliás, parece menos criação do cineasta do que imposição de executivos de estúdio, que gosta de tudo muito bem explicado.

No saldo final, essas explicações não subtraem tantos pontos de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Afinal, há tanto que aproveitar no filme, como as saídas visuais criativas que Burton encontrou para o texto de Dahl, as inspiradas interpretações, as deliciosas músicas dos Oompa-loompas, que esses deslocados flashbacks acabam em segundo plano. No fundo, como o próprio Wonka diz, chocolate tem a ver com a liberação de endorfina e deixa as pessoas mais felizes. É pouco provável que alguém já tenha feito um estudo sobre esse filme e a liberação de endorfina, mas que A Fantástica Fábrica de Chocolate deixa as pessoas mais felizes, isso deixa.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 26/04/2012 - 17h58 - Por gabyh eu adoro o filme e o livro da fabrica de chocolate
  • 16/08/2012 - 10h03 - Por rosemary shimidt da silva acho lindo este filme, a fantástica fábrica de chocolate. Até eu que tenho 37 anos queria muito viver este sonho.
    embora sei que na realidade não existe fábrica linda
    como a do filme; mas poderia taaanto existir.
  • 16/09/2012 - 20h02 - Por paulo ta legal cine web
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