Tentação

Ficha técnica


País


Sinopse

Jack é casado com Terry, mas tem um caso com Edith, mulher de seu melhor amigo. No entanto, as coisas mudam quando sua esposa se envolve com Hank, marido de Edith. Abordando essa traição dupla, o diretor John Curran analisa os mecanismos do amor e casamento.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

01/06/2005

Uma forma um tanto sucinta de analisar Tentação é compará-la a Closer, o mais recente trabalho do diretor Mike Nichols. Ambos os filmes centram-se no retrato de alcova de uma série de batalhas cruéis que exploram o que há de mais miserável no amor. Mais do que isso, expõem de forma teatral os personagens aos piores papéis, inserindo diálogos que colocam à luz os mais sórdidos detalhes da vida a dois. Infidelidade, traição, possessão, ciúme, mentira e competitividade são apenas alguns dos sentimentos que dão a tônica e o ritmo às obras.

No entanto, enquanto os protagonistas de Closer são solteiros que começam a sair de relações passageiras, os quatro personagens centrais de Tentação formam sólidos casamentos com filhos. Portanto, conhecem o desgaste causado pelo estresse da convivência, como também devem enfrentar as difíceis responsabilidades familiares e conjugá-las com o adultério. Nesse ponto, pode-se trabalhar também com o primeiro filme de Nichols, Quem tem Medo de Virginia Wolf ?, cujos personagens se assemelham, seja pelos professores universitários, seja pelo fato de uma das mulheres ser alcoólatra (papel que rendeu um Oscar a Elizabeth Taylor).

Baseado em dois contos de Andre Dubus (We Don’t Live Here Anymore e Adultery), Tentação, no entanto, pode ser considerada apenas como uma irmã menor dessas produções. Apesar do roteiro enxuto e do excelente elenco, o filme não reserva ao espectador nada de excepcional. Curiosamente, a mesma impressão que se teve em 2003 (excelentes performances e bom roteiro, mas genérico) com Entre Quatro Paredes, do diretor Todd Field, também baseado em textos de Dubus.

Seja como for, o quarteto Jack (Mark Ruffalo), Terry (Laura Dern), Hank (Peter Krause) e Edith (Naomi Watts) se apresenta como amigos inseparáveis até que Jack e Edith se apaixonam. Em vez de pedir o divórcio aos seus respectivos cônjuges, preferem estimular o adultério entre eles. Ou seja, algo como se viu em O Quatrilho. A amizade torna-se então, ao mesmo tempo traição e conveniência. Tudo recheado de discussões carregadas de ódio e ironia, com algumas cenas ocasionais de sexo - intencionalmente anti-eróticas.

Enfim, são pessoas à deriva em suas emoções, presas a situações que elas próprias criaram e que as imobiliza. Não deixa de ser uma visão pessimista de relacionamentos, que coloca em xeque valores e mostra a idéia de amores fluidos – volúveis e passageiros. O espectador pode não encontrar muitas novidades na história, mas ser contada de forma tão familiar torna a produção um destaque.

Rodrigo Zavala


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