Van Helsing - O Caçador de Monstros

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Crítica Cineweb

03/05/2004

Drácula, Frankenstein, Lobisomem, Mr. Hyde, Múmia. Baluartes das obras de terror, esses personagens imortais no imaginário popular continuam a atrair público ao cinema. Não é necessário descrever minuciosamente o motivo, mas sabe-se que os espectadores têm um fascínio quase obsceno pelo fantástico e pelo sombrio.

 

No entanto, uma marca das novas produções é a extração de toda a aura clássica desses personagens. Vale mais o riso do que propriamente o assombro que eles provocam, ou melhor, provocavam até meados do século passado. O fato coloca uma questão prática quando se fala sobre o assunto: teriam os monstros sagrados do horror sucumbido ao tempo?

 

A prova pode ser tirada em Van Helsing - O Caçador de Monstros. Nele, Drácula, Frankenstein, Lobisomem e Mr. Hyde (de O Médico e o Monstro) são as vítimas do legendário personagem tema, interpretado aqui pelo ator Hugh Jackman. Longe do glamour que eternizou cada um deles, o filme traz caricaturas que beiram ao ridículo, causadas pelo excesso quase anedótico em suas participações na trama.

 

A ação tem lugar no final do século XIX, quando a Europa era assolada por aparições aterradoras. O medo era apenas suprimido pela ação de um grupo de extermínio de seres sobrenaturais vinculado ao Vaticano, para o qual Van Helsing presta serviços como um agente secreto. Assim, nada mais natural do que receber uma missão em que terá de salvar os descendentes de uma família de guerreiros santos na Transilvânia, que tentam há séculos combater o conde Dracúlio e seu séquito de vampiros. Lobisomem e o monstro criado por Dr. Frankenstein estão ligados ao grande vilão e terão de enfrentar Van Helsing.

 

Desde o começo, o espectador irá se deparar com uma profusão de efeitos especiais, cenas de ação e incontáveis situações irreverentes que apontam para o público pré-adolescente. O videoclipe parece ser a fórmula base do diretor Stephen Sommers, para mostrar a história, que recorre a todo o momento aos clichês de filmes do gênero. Cada plano de Van Helsing - O Caçador de Monstros parece ter sido cuidadosamente extraído de outras produções pregressas, o que dá certo ar de paródia ao filme.

 

Tal como fez em A Múmia, Sommers cria um ambiente bem-humorado durante as ações dos personagens. Piadas de fácil digestão são jogadas a todo o tempo, evidentes ou não; estão presente nos diálogos, nas lutas, no romance, enfim, nos momentos mais críticos.

 

Embora possa ser eficiente para seu público-alvo, repita-se pré-adolescentes, o resultado para quem está acostumado a admirar o charme dos monstros sagrados da literatura e, mais tarde, do cinema, é desastroso. Com um elenco duvidoso, performances fracas e confusas explicações sobre o passado dos seres, o filme estilhaça todo o fascínio desses personagens - sem exceção. Drácula, efeminado, exagerado e mal interpretado pelo ator Richard Roxburgh, é um exemplo gritante disso.

 

No saldo final, percebe-se que para agradar às novas gerações de espectadores, os imortais tiveram de ser reciclados. Não adianta apenas morder pescoços à meia-noite, virar lobo na lua cheia, ou ser criado por um cientista maluco. Eles devem ser dignos de se considerarem divindades, com poderes inimagináveis, o que deixam as produções deliciosamente artificiais. O preço, contudo, é a perda completa da significação dos personagens e até do senso estético da obra. E Van Helsing - O Caçador de Monstros é didático nesse sentido.

Rodrigo Zavala


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Comentários:
  • 03/01/2013 - 16h35 - Por monica de sousa eu gosto de assistir os filmes de van helsing gosto muito dele..
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