Jackie Brown

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Crítica Cineweb

28/04/2004

É uma rara oportunidade poder reavaliar o malrecebido Jackie Brown, de Quentin Tarantino, que reestréia em São Paulo. Agora, lado a lado com Kill Bill - Volume 1, é possível tirar aquela dúvida que persiste na mente de alguns cinéfilos: Tarantino é um grande cineasta ou só mais uma fraude? Quatro filmes depois, chegou a hora de tentar esboçar uma conclusão. Levando em conta apenas os dois últimos trabalhos, pode-se dizer que sim, Tarantino está mais perto de ser um grande cineasta do que uma fraude, principalmente se deixarmos de lado toda a supervalorização de Pulp Fiction - Tempo de Violência.

Quando Jackie Brown chegou aos cinemas norte-americanos no natal de 1997, o filme decepcionou os fãs do cineasta nerd. E muitos de seus seguidores davam quase como morta a carreira do diretor. De outro lado, a maior parte da crítica especializada ficou deslumbrada com o fato de Tarantino ter feito um filme menos sanguinolento, barulhento, verborrágico e imediatista do que seus trabalhos anteriores, Pulp Fiction e Cães de Aluguel. Roger Ebert, um dos críticos mais importantes dos EUA, disse que esse é um filme para ser 'saboreado a cada momento'.

O roteiro é baseado no romance Ponche de Rum, do escritor norte-americano Elmore Leonard, um autor que transformou o romance policial em um verdadeiro estudo sociológico. O cineasta acabou tomando uma licensa poética, transformando a personagem-título em uma afro-americana. Isso por conta de uma distração. Conta a lenda que ele não prestou atenção no livro na parte que descrevia a personagem e escreveu o roteiro pensando na atriz afro-americana Pam Grier. Quando deu conta do erro, já era tarde demais. Grier, por sua vez, uma estrela dos filmes blax-ploitation, bem comuns nos anos 70, estava afastada das telas há alguns anos, agarrou a oportunidade com unhas e dentes e o resultado é uma perfonance sublime e cheia de nuances.

Jackie Brown é uma comissária de bordo da pior linha aérea norte-americana. Para aumentar sua renda, ela ajuda um traficante de armas, Ordell (Samuel L. Jackson), porém é pega pela polícia que está na cola dele. Para pagar a fiança, o bandidão manda Max Cherry, um especialista nisso. Logo no primeiro encontro, Cherry se apaixona pela comissária, mas guarda esse sentimento para si. Jackie por sua vez é encurralada: de um lado a polícia quer que ela ajude a pegar Ordell, de outro, sabe que o traficante vai acabar com ela antes mesmo que ela faça um acordo com a polícia. Mas há uma chance: Jackie acabar com ele primeiro. Mas essa idéia de matá-lo não a agrada, e, além disso ela tem um plano bem melhor.

Aos poucos, Jackie Brown vai se abrindo, em pequenas tramas a serviço de uma história maior. Bem menos verborrágico do que Pulp Fiction, chegando a ser quase contemplativo em alguns momentos, o Tarantino usa recursos que foram meros cacoetes no filme anterior - como tela divida, reprisar a mesma cena com diferentes pontos de vista - desta vez todos a favor de contar uma história.

Os atores são um caso a parte. Tarantino tem um olho clínico para escalar o seu elenco, se Pam Grier é a Jackie Brown dos sonhos, Samuel L. Jackson não deixou por menos, e acabou ganhando um prêmio no Festival de Berlim. E, sem deixar de mencionar, que Robert De Niro está brilhante no papel de um ex-preso amigo de Ordell, e que desde este filme não teve uma outra performance digna de seu talento.

A verdade é que Tarantino é um cineasta com muito chão para rodar. E, que se ele não precisa provar mais nada a ninguém, há ainda algumas dúvidas que peristem. Mas seus detratores têm a chance de ver dois de seus bons filmes e começar a tirar conclusões, ainda que preciptadas.

Alysson Oliveira


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