O Retorno do Talentoso Ripley

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Crítica Cineweb

13/04/2004

A escritora americana Patricia Highsmith contribuiu com uma boa história para o cinema quando seu livro Strangers on a Train foi adaptado, em 1951, por Alfred Hitchcock no filme Pacto Sinistro. Autora de obras policiais atípicas, a arredia escritora texana, que vivia isolada com seus gatos e rosas em pequenos vilarejos europeus até sua morte, em 1995, teve mais dois livros adaptados para as telas: O Sol por Testemunha e O Amigo Americano, em três versões diferentes para o mesmo personagem, o refinado assassino Tom Ripley. A quarta versão chega agora às telas pelas mãos da italiana Liliana Cavani, com o filme O Retorno do Talentoso Ripley. O primeiro livro foi filmado pelo francês René Clément e pelo americano Anthony Minghella - respectivamente, O Sol por Testemunha (1960) e O Talentoso Ripley (1999). O segundo foi adaptado pelo alemão Win Wenders - O Amigo Americano (1977) - e agora por Liliana Cavani.

Complexo personagem, nem sempre bem compreendido em suas nuances pelos diretores de cinema, Ripley ganha na versão da cineasta italiana sua mais perfeita tradução, graças principalmente à interpretação segura de John Malkovich. Longe da beleza juvenil de Alain Delon, dos componentes homossexuais de Matt Damon e da insanidade de Dennis Hopper (os atores que interpretaram Ripley no cinema), o personagem desenvolvido por John Malkovich, agora em sua plena maturidade, é apenas o retrato de um assassino sem nenhuma afetação, preocupado em manter seu passado na sombra para desfrutar do dinheiro acumulado com seus crimes, cercado de obras de arte e de sua bela e fútil mulher. Amoral por natureza, mata com frieza e crueldade mas sabe apreciar a boa música e os bons vinhos.

Em O Retorno do Talentoso Ripley já se passaram alguns anos desde que Tom matou o jovem milionário Dickie Greenleaf e ficou com boa parte de sua herança, como mostrou o filme de Minghella. Com os golpes posteriores, que incluiam falsificação de quadros e assassinatos, conseguiu aumentar sua fortuna e usá-la na compra de uma vila italiana, finamente mobiliada com obras de arte, e manter uma aparência respeitável ao lado da jovem esposa, que desconhece seu passado. Mas sua rotina volta a ser quebrada com a chegada de um parceiro de golpes anteriores, Reeves (Ray Winstone), que lhe oferece um novo trabalho sujo: matar um mafioso russo que ameaça seus negócios na Alemanha. Relutando em se envolver novamente com o antigo parceiro, Tom lhe oferece uma outra alternativa: utilizar os serviços de Jonathan (Dougray Scott), um homem comum, acima de qualquer suspeita, que está prestes a morrer de leucemia. Sem dinheiro para manter a mulher e o filho pequeno, o rapaz, que trabalha numa loja de molduras, pode ser persuadido a aceitar a encomenda em troca de dinheiro suficiente para manter a família após sua morte.

Reeves procura o artesão, mas é repelido. O criminoso insiste e Jonathan acaba se curvando. Afinal, a proposta é irrecusável e quem vai ser morto merece o fim que lhe está sendo arquitetado. No fundo, parece até uma boa ação. Mas a tarefa, aparentemente fácil, se complicará com as conseqüências da eliminação do mafioso. Reeves quer agora que Jonathan mate outros criminosos, caso contrário sua família sofrerá as conseqüências. Isso não estava nos planos de Ripley que precisará voltar à ativa para impedir que o rapaz se meta numa enrascada ainda maior por sua culpa.

Luiz Vita


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