Narradores de Javé

Ficha técnica


País


Sinopse

Moradores de Javé, cidadezinha do sertão baiano condenada a desaparecer sob as águas de uma barragem, decidem trazer de volta um carteiro mentiroso e trapalhão (José Dumont). Ele é a única pessoa alfabetizada da região e, por isso, é encarregado de escrever a história dos grandes feitos do lugar, para que se possa impedir seu desaparecimento.


Extras

Trailer
Comentários da diretora, da produtora Vânia Catani e de José Dumont
Biografias de José Dumont e Eliane Caffé
Making of
Fotos
Uma música da trilha sonora
Áudio dolby digital 2.0 e 5.1


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

21/01/2004

Um Brasil profundo e atemporal salta desta história de um grupo de moradores do pequeno vilarejo de Javé, interior da Bahia, prestes a desaparecer do mapa, coberto pelas águas de uma hidrelétrica. Tentando fugir à extinção, os habitantes decidem trazer de volta ao seu convívio o único alfabetizado das redondezas, o carteiro Antônio Biá (José Dumont). Ele havia sido expulso dali porque, para justificar a manutenção do próprio emprego, escrevia cartas falsas, com fofocas que diziam respeito a todos os moradores.

Reabilitado, o carteiro é encarregado pelo líder local (Nelson Xavier) de registrar por escrito a história do povoado e os feitos notáveis que poderiam justificar sua preservação perante as autoridades. No processo, surge o impasse pelo conflito das diversas versões e a inevitável explosão dos vícios humanos - inveja, ciúme, rivalidades, preguiça.A história do povoado, vista por uma mulher, transforma-se numa epopéia feminista. Recontada por um velho negro, vira uma saga africana. No final de contas, cada um que conta a sua visão dos fatos passados procurar aumentar a importância dos próprios antepassados, tentando impor seu ângulo à versão final que o carteiro firmará como definitiva.

Um trabalho iluminado, fruto da união do talento da diretora Eliane Caffé, também co-autora do roteiro junto com o dramaturgo Luís Alberto Abreu (seu parceiro também no filme de estréia, Kenoma, de 1998), e da magnífica atuação de todo o elenco - com destaque para o veterano José Dumont, que revela uma entrega ao papel tão extraordinária quanto rara. A reinvenção da linguagem popular também é uma das atrações à parte, com inúmeras palavras e expressões colhidas nos sertões da Bahia e Minas Gerais mas que, graças à expressão cristalina dos atores, ninguém que não seja originário dessas regiões terá dificuldade para compreender. José Dumont sozinho inventou expressões de uma criatividade de fazer inveja a Guimarães Rosa: ""Iemanjá de açude", "pokémon de Jesus", "manicure de lacraia" e "clonado de miolo de pão" saíram da lavra do incansável ator paraibano.

Narradores de Javé é tão contagiante, envolve os espectadores tão profundamente com sua trama que evoca no coração da platéia aquele encanto primitivo que as crianças sentem ao ouvir histórias. Ao acabar o filme, logo vem uma vontade irresistível de assistir tudo de novo, várias vezes.

Este segundo filme da diretora paulista Eliane Caffé já foi premiado nos festivais de Recife, Rio, Bruxelas e Fribourg (Suíça).

Neusa Barbosa


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