Festival de Gramado 2021

Gramado consagra a distopia pernambucana "Carro Rei", de Renata Pinheiro

Neusa Barbosa

O longa pernambucano Carro-Rei (foto ao lado), de Renata Pinheiro, foi o grande vencedor do 49o. Festival de Gramado, levando quatro kikitos: melhor filme, trilha musical, direção de arte e desenho de som. O filme retrata uma distopia que une homens e automóveis, tendo ao centro o mecânico Zé Macaco (Matheus Nachtergaele).
 
A produção paranaense Jesus Kid (foto abaixo), de Aly Muritiba, ficou com três prêmios: melhor direção, roteiro (adaptando obra de Lourenço Mutarelli) e ator coadjuvante (Leandro Daniel Colombo). No enredo, um escritor em crise (Paulo Miklos), no isolamento de um hotel, vive enfrentamentos reais e alucinados com seus personagens, como o cowboy Jesus Kid (Sérgio Marone).
 
Cada um a seu modo, estes dois principais vencedores da competição brasileira comentam e satirizam a situação política de impasse atual no Pais, com bastante criatividade e ousadia.
 
Outros prêmios 
 
O melhor ator foi Nando Cunha, pelo drama intimista O Novelo, de Cláudia Pinheiro (SP). A melhor atriz, Glória Pires, protagonista do drama policial A Suspeita, de Pedro Peregrino (RJ). A melhor coadjuvante, Bianca Byington, pelo filme Homem-Onça, de Vinicius Reis (RJ) - um título que mereceria ter sido lembrado com mais premiações. Mesmo caso, aliás, de A Primeira Morte de Joana, de Cristiane Oliveira (RS), um sensível retrato da adolescência feminina, que recebeu três prêmios: melhor fotografia, montagem e melhor filme para o júri da crítica. 
 
Entre os longas estrangeiros, foi vencedora a comédia uruguaia A Teoria dos Vidros Quebrados, uma coprodução com o Brasil que acompanha as atribulações de um perito de seguradora (Martin Slipak), transferido a uma infernal cidadezinha da fronteira. O melhor longa gaúcho foi o documentário Cavalo de Santo, de Mirian Fichtner e Carlos Caramez, que retrata o universo das religiões afro-brasileiras do Rio Grande do Sul. 
 
Abaixo, a premiação completa:
 
LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS
Melhor Filme - “Carro Rei”, de Renata Pinheiro
Melhor Direção - Aly Muritiba, por “Jesus Kid”
Melhor Ator - Nando Cunha, em “O Novelo”
Melhor Atriz - Glória Pires, em “A Suspeita”
Melhor Roteiro - Aly Muritiba, por “Jesus Kid”
Melhor Fotografia - Bruno Polidoro, por “A Primeira Morte de Joana”
Melhor Montagem - Tula Anagnostopoulos, por “A Primeira Morte de Joana
Melhor Trilha Musical - Dj Dolores, por “Carro Rei”
Melhor Direção de Arte - Karen Araújo, por “Carro Rei”
Melhor Atriz Coadjuvante - Bianca Byington, por “Homem Onça”
Melhor Ator Coadjuvante - Leandro Daniel Colombo, por “Jesus Kid”
Melhor Desenho de Som - Guile Martins, por “Carro Rei”
Melhor Filme pelo Júri Popular - “O Novelo”, de Claudia Pinheiro
Melhor Filme pelo Júri da Crítica - “A Primeira Morte de Joana”, de Cristiane Oliveira
Prêmio Especial do Júri para Matheus Nachtergaele, em “Carro Rei”, pela construção e domínio do personagem e pela brilhante capacidade de se reinventar.
Menção honrosa para Fernando Lufer, Michel Gomes, Victor Alves, Kaike Pereira, Pedro Guilherme e Caio Patricio por seu talento e potência em “O Novelo”. 
Menção honrosa para Isabél Zuaa pela bela e impactante atuação em “O Novelo”
 
LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS
Melhor Filme - “La Teoría De Los Vidrios Rotos”, de Diego Fernández Pujol
Melhor Filme Júri Popular - “La Teoría De Los Vidrios Rotos”, de Diego Fernández Pujol
Melhor Filme pelo Júri da Crítica - “Planta Permanente”, Ezequiel Radusky
Prêmio Especial do Júri - Pela abordagem de temas tão presentes em nossa sociedade, que refletem as consequências de um sistema corrompido e afetam diretamente os valores humanos; e pelas interpretações das protagonistas femininas que representam a força das mulheres latinas em nosso cinema. O Júri de Longas-metragens estrangeiros do 49º Festival de Cinema de Gramado decidiu conceder o Prêmio Especial do Júri ao filme “Planta Permanente”, de Ezequiel Radusky.
 
LONGAS-METRAGENS GAÚCHOS
Melhor Filme -  “Cavalo de Santo”, de Carlos Eduardo Caramez e Mirian Fichtner 
Melhor Direção - Gilson Vargas, por “A Colmeia”
Melhor Ator - João Pedro Prates, por “A Colmeia”
Melhor Atriz - Luciana Renatha, Alexia Kobayashi e Veronica Challfom, por “Extermínio” 
Melhor Roteiro - Carlos Eduardo Caramez, por “Cavalo de Santo” 
Melhor Fotografia - Bruno Polidoro, por “A Colmeia” 
Melhor Direção de Arte - Gilka Vargas e Iara Noemi, por “A Colmeia” 
Melhor Montagem - Joana Bernardes e Mirela Kruel, por “Extermínio” 
Melhor Desenho de Som - Gabriela Bervian, por “A Colmeia” 
Melhor Trilha Musical - Cânticos Sagrados dos Orixás preservados pelos Terreiros gaúchos e Alabê Oni, por “Cavalo de Santo”
Melhor Filme pelo Júri Popular - “Cavalo de Santo”, de Carlos Eduardo Caramez e Mirian Fichtner 
 
CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS
Melhor Filme - “A Fome de Lázaro”, de Diego Benevides
Melhor Direção - Fabio Rodrigo, por “Entre Nós e o Mundo”
Melhor Ator - Lucas Galvino em “Fotos Privadas”
Melhor Atriz - Tieta Macau em “Quanto Pesa”
Melhor Roteiro - Marcelo Grabowsky, Aline Portugal e Manoela Sawitzki, por “Fotos Privadas”
Melhor Fotografia - Rodolpho Barros, por “Animais na Pista”
Melhor Montagem - Caroline Neves, por “Entre nós e o Mundo”
Melhor Trilha Musical - Eli-Eri Moura, por “Animais na Pista”
Melhor Direção de Arte - Torquato Joel, por “A Fome de Lázaro”
Melhor Desenho de Som - Breno Nina, por “Quanto Pesa”
Melhor Filme pelo Júri Popular - “Desvirtude”, de Gautier Lee
Melhor Filme pelo Júri da Crítica - “Entre Nós e o Mundo”, de Fábio Rodrigo
Prêmio Especial do Júri - Fabio Rodrigo, por “Entre Nós e o Mundo” por responder de forma consciente em termos estéticos, afetivos e narrativos a pergunta “Como falar da dor da perda e ainda ter esperança?”.
Menção honrosa da Comissão Julgadora para os curtas brasileiros vai para o filme “A Beleza de Rose”, de Natal Portela, por fazer um delicado recorte da vida de muitas mulheres negras no nordeste do Brasil.
Prêmio Canal Brasil de Curtas - “A Beleza de Rose”, de Natal Portela

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