"Bróder" vence Festival de Gramado

Gramado começa com frio europeu e apostas em filmes políticos

Neusa Barbosa

Gramado começa com frio europeu e apostas em filmes políticos
Começa nesta sexta (6), com muito frio e até possibilidade de neve – que caiu na Serra Gaúcha nos últimos dias -, a 38ª edição do Festival de Gramado. Na abertura, está o primeiro concorrente da competição brasileira, o drama paulista Bróder (foto), estreia na direção de Jefferson De, um mergulho na periferia paulistana do Capão Redondo que saiu do último Festival de Paulínia, em julho, com quatro troféus.
Já na noite inicial, passa também o segundo concorrente nacional, a ficção Enquanto a noite não chega, adaptação do romance de Josué Guimarães, dirigida pelo gaúcho Beto Souza (Dias e noites), dando a arrancada para o festival que, pela primeira vez, estende-se por nove dias. O filme de encerramento, na sexta (13-8), é Ex-isto, de Cao Guimarães, uma visão bem pessoal sobre o romance Catatau, do poeta curitibano Paulo Leminski, com participação do ator baiano João Miguel (Estômago). A cerimônia de premiação será na noite de sábado (14-8).
Os demais longas brasileiros competindo pelos Kikitos são: 180º., de Eduardo Vaisman (RJ); o documentário Diário de uma busca, de Flávia Castro (RJ); o drama Não se pode viver sem amor, de Jorge Durán (RJ, que competiu no Cine-PE 2010); o documentário histórico O Contestado – restos mortais, de Sylvio Back (concorrente que saiu sem prêmios do Festival É Tudo Verdade 2010); O último romance de Balzac, de Geraldo Sarno (RJ) e Ponto.org, de Patricia Moran (SP).
Latinos raros
Marca distintiva do tradicional festival gaúcho, a seção competitiva latina conta com representantes de filmografias praticamente inexistentes no circuito cinematográfico nacional, caso da Venezuela (representada por Historia de un dia, de Rosana Matecki), Uruguai (Ojos bien abiertos – um viaje por Sudamerica de hoy, de Gonzalo Arijón) e Nicarágua (La Yuma, de Florence Jaugey). Completam a seleção latina El vuelcro del cangrejo, de Oscar Ruiz Navia (Colômbia/França); La vieja de atrás, de Pablo Jose Meza (Argentina/Brasil); Perpetuum Móbile, de Nicolás Pereda (México/Canadá); e Mi vida con  Carlos, de German Berger (Chile/Espanha/Alemanha) – este um documentário exibido no Festival de Roterdã que recupera a figura de um militante político morto pela ditadura chilena nos anos 1970, Carlos Berger, num filme assinado por seu filho.
Este é o mesmo perfil, aliás, do documentário brasileiro Diário de uma busca, em que a filha do ex-militante político gaúcho Celso Afonso Gay de Castro (1943-1984), Flávia de Castro, procura as pistas para desvendar pontos obscuros da vida e da morte de seu pai.
Os homenageados desta edição são o ator Paulo César Pereio (que recebe o troféu Oscarito), a cineasta Ana Carolina (troféu Eduardo Abelin) e o diretor da Cinemateca Uruguaia, Manuel Martinez Carril (Kikito de Cristal).  
Cerca de 300 curta-metragens inscreveram-se para disputar os prêmios da mostra nacional e da mostra gaúcha, sendo selecionados 16 na primeira e 12 na segunda. Alguns destaques são os paulistas Eu não quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro (vencedor de quatro prêmios em Paulínia), Haruo Ohara, de Rodrigo Grota (autor dos premiados Satori Uso e Booker Pittman) e o baiano Carreto, de Cláudio Marques e Marília Hughes.

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