"Luz nos Trópicos" vence o Olhar de Cinema

Olhar de Cinema começa nona edição com "Para onde voam as feiticeiras"

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O 9º Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba começa nesta quarta (7/10), pela primeira vez, inteiramente online. A cerimônia de abertura vai acontecer às 19h e será transmitida pelo canal do YouTube do Festival.
 
Para Onde Voam as Feiticeiras, de Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral, é o filme de abertura. O longa une encenações e improvisos de sete artistas de rua de São Paulo, expondo a permanência de antigos preconceitos de classe, gênero e raça. É a estreia do documentário, que foi selecionado para o Cinelatino Rencontres de Toulouse, mas não chegou a ser exibido por causa da pandemia de Covid-19.
 
Ao todo, são mais de 70 filmes, entre longas e curtas-metragens, divididos em sete mostras: Mostra Competitiva, Mostra Foco, Novos Olhares, Outros Olhares, Olhares Brasil, Exibições Especiais e Mirada Paranaense.
 
As sessões estão sujeitas a lotação e os filmes poderão ser vistos apenas dentro do seu dia de exibição, das 6h da manhã até às 5h59 do dia seguinte e apenas dentro do território brasileiro.
 
Competição
 
Ao todo, serão nove longas-metragens na Mostra Competitiva, formando um recorte da cinematografia mundial.
 
O cinema brasileiro vem representado pelo ainda inédito Entre nós talvez estejam multidões, dirigido por Pedro Maia de Brito e Aiano Bemfica, filmado na ocupação Eliana Silva. Direto da seleção da Mostra Panorama do último Festival de Berlim, faz parte da competição Luz dos trópicos, de Paula Gaitán.
 
Num diálogo com outras cinematografias, ainda do festival de Berlim, desta vez da mostra Encounters, chega o português A metamorfose dos pássaros, de Catarina Vasconcelos. Outros títulos da Berlinale são o belga Victoria, de Sofie Benoot, também exibido no IndieLisboa, e Na cabine de exibição, do diretor israelense Ra'anan Alexandrowicz, já selecionado para vários outros festivais voltados ao cinema documental.
 
Do Festival de Roterdã, o Olhar traz o indiano Nasir, de Arun Karthick, e o espanhol Longa noite, de Eloy Enciso, também selecionado para os festivais de Toronto e Locarno. Deste festival, também será possível conferir o francês Um filme dramático, de Eric Baudelaire. Los lobos, do mexicano Samuel Kishi, vindo diretamente do Festival de Havana, completa a seleção.
 
A seleção de curtas-metragens segue a mesma diversidade de narrativas e locais, com representantes brasileiros, espanhóis, franceses e peruanos, entre outros. Do Brasil, são dois títulos: Chão de rua, de Tomás von der Osten, exibido no último festival de Locarno, e, em pré-estreia mundial, Noite de seresta, de Sávio Fernandes e Muniz Filho.
 
Mostra Foco
 
Nesta 9ª edição, o nome destacado na Mostra Foco é o do diretor Daniel Nolasco. Nascido em Catalão, Goiás, o realizador escreveu e dirigiu mais de nove curtas-metragens e dois documentários. Seu primeiro longa de ficção, Vento seco, recentemente exibido na Berlinale e no Festival de Guadalajara, é um dos filmes que poderão ser vistos..
 
Mostra Olhares Brasil 
 
Entre os títulos, está a co-produção Brasil/Portugal/Moçambique Um Animal Amarelo, nova fábula visual de Felipe Bragança, exibido no Festival de Roterdã e em Gramado; o vencedor do prêmio do júri na 23ª Mostra de Tiradentes Canto dos Ossos, de Jorge Paulo e Petrus Bairros, e ainda da mostra mineira, o longa Cabeça de Nêgo, que cria uma narrativa que tem como base ideais do Panteras Negras.
 
Outro destaque é o documentário Fakir, assinado por Helena Ignez, exibido no 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no XV Panorama Coisa de Cinema e forumdoc.bh, além de outros festivais brasileiros e internacionais.
 
O veterano Geraldo Sarno também tem filme na seleção. O diretor de Viramundo (1965) apresenta no Olhar de Cinema seu último filme, Sertânia, uma revisita modernizada ao sertão, ao cangaço e ao cinema novo
 
A ancestralidade é o tema dos dois títulos que completam a mostra: Cavalo, de Raphael Barbosa e Werner Salles Bagetti e Yãmi?yhex: as mulheres-espírito, da Associação Filmes de Quintal. Enquanto este se volta para o resgate da mitologia e tradição indígena, aquele traz a dança para falar das marcas do passado.
 
A seleção de curtas também está bem atenta às temáticas atuais. Negritude, lesbianidade e ancestralidade se fazem presentes nos curtas Enraizadas, de Juliana Nascimento e Gabriele Roza; Minha História É Outra, de Mariana Campos; Mãtãnãg, a Encantada, de Shawari Maxacali e Charles Bicalho, A Morte Branca do Feiticeiro Negro, de Rodrigo Ribeiro, e O verbo se fez carne, de Ziel Karapotó.
 
Distopias inspiram o curta de Matheus Farias e Enock Carvalho Inabitável e também Os Últimos Românticos do Mundo, de Henrique Arruda, exibido no 17º IndieLisboa , que faz uma ponte entre o futuro pré-apocalíptico e o desconhecido.
 
Mirada Paranaense
 
Nesta 9ª edição do evento, onze títulos integram a mostra local. Entre eles, o longa-metragem documental A Alma do Gesto, de Eduardo Baggio e Juslaine Abreu-Nogueira, que explora a criação artística e a construção imagética de outra arte que não o cinema. A arte também é o tema de Exumação da Arte, curta-metragem de Maurício Ramos Marques.
 
Outros 9 curtas integram a seleção, que destaca o racismo e a negritude como seus temas. Exibido na 23ª Mostra de Tiradentes, E no rumo do meu sangue, de Gabriel Borges, reorganiza imagens para construir uma nova narrativa. O documentário Meia Lua Falciforme, de Dê Kelm e Débora Evellyn Olimpio, fala sobre a Doença Falciforme, que afeta principalmente a população afrodescendente. 
 
A mostra traz também a história de Enedina Alves Marques, a primeira mulher negra a se formar engenheira no Brasil, no curta Além de Tudo, Ela, de Pedro Vigeta Lopes, Pâmela Regina Kath, Mickaelle Lima Souza, Lívia Zanuni. Em linguagem experimental, Cor de Pele, de Larissa Barbosa, questiona as opressões sofridas pelas mulheres negras.
 
Outro retrato do preconceito da sociedade está no curta de documentário Seremos Ouvidas, de Larissa Nepomuceno, que investiga o movimento feminista surdo. As mulheres, em diferentes fases da vida, também são o foco dos curtas Aonde Vão os Pés, de Débora Zanatta, e A Mulher Que Sou, de Nathália Tereza. Este, premiado no Festival de Gramado, com o Kikito de melhor atriz para Cassia Damasceno.
 
Completam a seleção a única animação da mostra, Napo, curta afetivo de Gustavo Ribeiro sobre memória, e Cancha - Domingo é dia de jogo, de Welyton Crestani, sobre o poder do futebol de várzea em Vila Verde.
 
Seminários
 
Os seminários acontecem de 08 a 14 de outubro, sempre às 16h. As conversas serão ao vivo e gratuitas. Para saber mais: 
08/10 :: Show me the fund: mapeamento de fundos internacionais e oportunidades
10/10 :: Desafiando as perspectivas e exercitando a futuridade
11/10 :: Masterclass Ângela Schanelec - O ritmo dos planos: composição, ritmo e percepção
12/10 :: A representatividade e os superpoderes do cinema
13/10 :: Conversa aberta com Daniel Nolasco 
14/10 :: "O silêncio acabou" #metoobrasil
 
Abaixo, as listas de filmes de algumas das mostras:
 
MOSTRA COMPETITIVA
 
LONGAS-METRAGENS
 
Nasir (Índia, Países Baixos, Singapura, 2019, 79 min.), de Arun Karthick; 
 
Na Cabine de Exibição (The Viewing Booth, Israel, Estados Unidos, 2019, 71 min.), de Ra'anan Alexandrowicz
 
A Metamorfose dos Pássaros (Portugal, 2020, 101 min.), de Catarina Vasconcelos
 
Los Lobos (México, 2019, 95 min.), de Samuel Kishi
 
Longa Noite (Espanha, 2019, 90 min.), de Eloy Enciso
 
Victoria (Bélgica, 2020, 72 min.) de Sofie Benoot, Liesbeth De Ceulaer e Isabelle Tollenaere
 
Entre Nós Talvez Estejam Multidões ( Brasil, 2020, 99 min.) de Pedro Maia de Brito, Aiano Bemfica
 
Luz nos Trópicos (Brasil, 2020, 260 min.) de Paula Gaitan
 
Um Filme Dramático (Un film dramatique, 2019, França, 114 min.) , de Eric Baudelaire. 
 
 
CURTAS-METRAGENS
 
Chão de Rua (Brasil, 2019, 20 min.) de Tomás von der Osten
 
O Mártir (El Màrtir, 2020, Espanha, 18 min.) de Fernando Pomares 
 
Panteras (Panteres, 2020, Espanha, 22 min.) de Erika Sanchez
 
Noite Perpétua (Portugal, 2020, França, 17 min.) de Pedro Peralta
 
Noite de Seresta (Brasil, 2019, 19 min.) de Sávio Fernandes, Muniz Filho
 
O Silêncio do Rio (El Silencio del rio, 2020, Peru, 14 min.) de Francesca Canepa
 
Telas de Shanzhai (Sh?nzhài Screens, 2020, França, 23 min.) de Paul Heintz
 
Algo-Rhythm (Austria, Senegal, Reino Unido, 2019, 14 min.) de Manu Luksch
 
 
MOSTRA FOCO
 
Vento Seco (Brasil, 2020, 110 min.)
 
Mr. Leather (Brasil, 2019, 85 min.)
 
Paulistas (Brasil, 2017, 80 min.)
 
OLHARES BRASIL
 
LONGAS-METRAGENS
 
Um Animal Amarelo (Brasil/Portugal/Moçambique, 2020, 115 min.), de Felipe Bragança
Cabeça de Nêgo (Brasil, 2020, 86 min.), de Déo Cardoso
Canto dos Ossos (Brasil, 2020, 89 min.), de Jorge Paulo e Petrus de Bairros
Cavalo (Brasil, 2020, 85 min.), de Raphael Barbosa e Werner Salles Bagetti
Fakir (Brasil, 2019, 92 min.), de Helena Ignez
Sertânia (Brasil, 2019, 97 min.), de Geraldo Sarno
Yãmiyhex: as mulheres-espírito (Brasil, 2020, 76 min.), da Associação Filmes de Quintal
 
CURTAS-METRAGENS
 
Enraizadas (Brasil, 2019, 14 min.), de Juliana Nascimento e Gabriele Roza
Inabitável (Brasil, 2020, 20 min.), de Matheus Farias e Enock Carvalho
Mãtãnãg, a Encantada (Brasil, 2019, 14 min.), de Shawari Maxacali e Charles Bicalho
Minha História É Outra (Brasil, 2019, 22 min.), de Mariana Campos
A Morte Branca do Feiticeiro Negro (Brasil, 2020, 10 min.), de Rodrigo Ribeiro
Os Últimos Românticos do Mundo (Brasil, 2020, 23 min.), de Henrique Arruda
O verbo se fez carne (Brasil, 2019, 6 min.), de Ziel Karapotó
 
MIRADA PARANAENSE
 
LONGA-METRAGEM
 
A Alma do Gesto (Brasil, 2020, 66 min.), de Eduardo Baggio e Juslaine Abreu-Nogueira
 
CURTAS-METRAGENS
 
Além de Tudo, Ela (Brasil, 2019, 10 min.), de Pedro Vigeta Lopes, Pâmela Regina Kath, Mickaelle Lima Souza, Lívia Zanuni
Aonde Vão os Pés (Brasil, 2020, 14 min.), de Débora Zanatta
Cancha - Domingo é dia de jogo (Brasil, 2020, 18 min.), de Welyton Crestani
Cor de Pele (Brasil, 2019, 3 min.), de Larissa Barbosa
E no rumo do meu sangue (Brasil, 2019, 4 min.), de Gabriel Borges
Exumação da Arte (Brasil, 2019, 14 min.), de Maurício Ramos Marques
Meia Lua Falciforme (Brasil, 2019, 22 min.), de Dê Kelm e Débora Evellyn Olimpio
A Mulher que Sou (Brasil, 2019, 15 min.), de Nathália Tereza
Napo (Brasil, 2020, 17 min.), de Gustavo Ribeiro
Seremos Ouvidas (Brasil, 2020, 13 min.), de Larissa Nepomuceno
 
SERVIÇO
Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba
De 7 a 15 de outubro
 
No site do Olhar de Cinema
R$ 5 por filme
Dinâmica das sessões
Os filmes serão exibidos no próprio site do Olhar de Cinema. Cada título estará disponível por tempo limitado dentro da programação. A programação completa dos filmes está disponível no site do Festival.
 
A programação completa também está disponível  no app do Festival. O app é gratuito e  pode ser baixado na AppStore  e no GooglePlay.  Lá também é possível encontrar todas as atividades paralelas.

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